Requião divulga documentos que estimariam valor de ramal ferroviário
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) divulgou ontem na Agência Estadual de Notícias (AENotícias) e via Twitter, imagens de documentos que atestariam a acusação de que o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo (PT), teria tentado fazer o governo do Estado aprovar uma obra com valores superfaturados. Segundo o governador, documentos do próprio Ministério do Planejamento estimavam o preço do ramal ferroviário entre Guarapuava e Ipiranga em R$ 200 milhões. Conforme Requião, a obra teria sido orçada pelo ministro em R$ 550 milhões.
Também via Twitter, Paulo Bernardo respondeu o governador divulgando uma reportagem veiculada pela AENotícias em 2007 que apontava que a obra custaria R$ 550 milhões. O ministro informou, através de sua assessoria de imprensa, que não tem a intenção de continuar a discussão com o governador paranaense. ''Para mim a briga acabou aqui. Desde que o Requião não continue atacando'', declarou.
Mas completou: ''Não tenho a intenção de brigar. Mas não posso ficar calado diante de acusações falsas. Vamos separar campanha de administração''. Em entrevista à FOLHA anteontem ele já havia afirmado que o temperamento do governador trouxe prejuízo ao Estado. ''Estamos negociando esse projeto desde 2005 sem chegar a nenhum acordo. E hoje essa obra já tem orçamento na casa dos R$ 750 milhões'', apontou.
A discussão entre o ministro e o governador começou depois que Requião utilizou a Escola de Governo - reunião semanal de secretários que é transmitida pela Paraná Educativa - para divulgar a acusação de que Paulo Bernardo teria tentado superfaturar uma obra no Paraná. O projeto em questão é o ramal ferroviário a ser construído entre Guarapuava e Ipiranga.
Em nota, Requião voltou a afirmar que o governo paranaense poderia construir a mesma obra por R$ 150 milhões. ''O valor da obra, conforme documento exposto na Agência de Notícias do Governo do Paraná no dia 23 de fevereiro, foi estimado pelo Ministério do Planejamento e pelo Congresso Nacional entre R$ 200 e R$ 220 milhões. Como no Paraná construímos mais barato, o nosso preço estaria em torno de R$ 150/R$160 milhões''.
''O ministro tenta se esconder atrás de suposta ordem direta do presidente Lula. Não posso acreditar que o presidente tenha montado a absurda proposta que o ministro me trouxe'', continuou Requião.
Ontem o ministro Paulo Bernardo recebeu a solidariedade de diversos deputados na Assembleia Legislativa, inclusive parlamentares da oposição ao governo Lula. O deputado Elio Rusch (DEM) discursou na tribuna em favor do ministro. ''Se o Requião sabia disso em 2005 porque não denunciou na época? Isso não seria prevaricação?'', questionou o deputado Luiz Carlos Martins (PDT).
Já o líder do governo na Assembleia, Luiz Claudio Romanelli (PMDB), disse que os valores expostos na reportagem da AENotícias divulgada pelo ministro se referiam a um trecho maior que o negociado em 2005. ''O que o PT quer é nos puxar pela orelhinha'', disse. Ele voltou a afirmar que o governador tem provas que comprovam as acusações que fez. Mas não quis desmentir nem confirmar a informação de que Requião teria a conversa com Paulo Bernardo em 2005 gravada.


