Requião discute corte de gastos para equilibar finanças do Estado
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segunda-feira, 23 de junho de 2003
Luciana PomboEquipe da Folha 
Curitiba - A pauta da reunião do governador Roberto Requião (PMDB) com sua equipe ontem pela manhã, no auditório do Canal da Música, em Curitiba, não foi das mais digestas. Atrás de dinheiro em caixa, o governo do Estado estuda desde janeiro deste ano várias medidas para economizar e cortar despesas. Algumas foram colocadas em práticas. Outras não. O equacionamento da dívida com precatórios e a revisão de contratos, temas discutidos ontem, faz parte desta reengenharia financeira.
A Procuradoria Geral do Estado (PGE) aguarda para esta semana uma decisão judicial repassando para a União a responsabilidade pelo pagamento de um precatório de quase R$ 5 bilhões para a construtora C.R. Almeida, o que daria crédito para o governo do Paraná junto ao governo federal. O precatório tem cerca de 20 anos e se refere a um convênio firmado entre o governo do Paraná e a União para a construção da Central do Paraná, ferrovia idealizada para ligar Ponta Grossa a Apucarana.
''A responsabilidade é da União. Vamos esperar que a Justiça confirme nossa petição'', disse ontem o procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, para os secretários e diretores presentes à reunião de trabalho convocada pelo governador Roberto Requião (PMDB). A pendenga judicial entre o governo e a empreiteira de Cecílio do Rêgo Almeida está sendo analisada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), com sede em Brasília. Já entrou em pauta este ano, mas o julgamento foi suspenso por conta de um pedido de vistas.
Botto de Lacerda relatou que os precatórios, ou seja, créditos garantidos por decisão judicial, são o grande desafio de sua pasta. Juntos, os precatórios devidos chegam a R$ 2 bilhões.
O secretário de Estado de Administração e Previdência Social, Reinhold Stephanes, também fez explanação no Canal da Música. O corte de custos, já anunciado há cerca de três meses, é sua prioridade. Uma das intenções do governo Requião é levar adiante a idéia de reduzir em 30% os gastos com combustível dos 17 mil veículos que compõem a frota oficial. Para isso, estuda-se um convênio com a Petrobras para que todos os veículos sejam abastecidos em postos da estatal.
Os pregões eletrônicos realizados este ano, de acordo com o secretário, já teriam economizado em 30% dos gastos com leilões realizados pelo governo anterior. Foram realizados até agora 115 pregões eletrônicos. Os gastos com telefonia, outra dor de cabeça assim que se trocou o governo, em janeiro deste ano, já teriam sido reduzidos em 20%. (Com Leandro Donatti)


