Requião deve entregar atas ao TC
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domingo, 08 de novembro de 1998
Patrícia Zanin 
O senador Roberto Requião (PMDB) promete entregar amanhã ao presidente do Tribunal de Contas (TC) do Paraná, Artagão de Mattos Leão, a edição nº 127 do Diário do Senado Federal que tem a transcrição de todas as atas das reuniões da diretoria do Banestado, nas quais se discutiu o rombo do Banco. As atas ocupam 168 páginas do Diário do Senado.
Na semana passada, Requião leu trechos das atas no Senado, apontando a existência de operações irregulares na Banestado Leasing. Ele fez críticas ao governador Jaime Lerner (PFL), a quem acusou de conivência com as dívidas do Banco, que passa por um processo de privatização e tem débitos de R$ 4,1 bilhões. O senador promete revelar a cada semana uma nova informação do Banestado.
O presidente do Banco, Manoel Campinha Garcia Cid, o Neco, quer impedir a divulgação das atas no Diário do Senado. Neco disse em Curitiba que já acionou a assessoria jurídica da instituição. Ele entende que a reprodução dos documentos significa quebra do sigilo bancário e pretende usar esse argumento, o mesmo utilizado pelo governo do Estado quando conseguiu suspender, através do Supremo Tribunal Federal, a veiculação das atas pela Internet no site de Requião. Ele só trocou a forma de publicação, reclamou Neco Garcia. Ele acusou a diretoria do banco Del Paraná, braço paraguaio do Banestado, de irregularidades na época em que Requião foi governador.
Junto ao TC, o senador quer que sejam investigadas as operações realizadas pelo Banestado. No mês passado, o Tribunal deu prazo de um mês, a vencer no próximo dia 22, para que o Banco apresente informações sobre as operações da Banestado Leasing em 1996, durante a gestão do ex-secretário do Esporte e Turismo, Osvaldo Magalhães dos Santos, morto num acidente de automóvel em setembro.
O pedido de informações ao Banestado foi feito pelo conselheiro Nestor Baptista, que também requereu junto ao Ministério Público Estadual e Federal cópias dos processos envolvendo a Leasing. Se as informações não forem prestadas, o TC ameaça desaprovar sua contabilidade financeira.
A gestão de Magalhães dos Santos deixou 26 operações sob suspeita. A acusação é de que os empréstimos foram concedidos sem lastro de garantia, o que comprometeu as finanças do Banco. As transações são investigadas pela Justiça Federal e Ministério Público. A dívida da Leasing com sócio-majoritário, que é o Banco, foi de R$ 423 milhões, de acordo com o presidente do Banestado.
Em junto de 1997, o Banestado encaminhou notícia-crime pedindo a apuração do caso. Quinze processos administrativos foram instaurados pela direção do banco. O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, disse em agosto deste ano que os funcionários responsáveis pelas transações sob suspeição já foram afastados. Em entrevista concedida à Folha em setembro, Neco Garcia reconheceu que esses funcionários fizeram uma administração temerária e administraram mal o dinheiro público.
O caso mais explorado envolve uma operação de leasing de R$ 3,5 milhões concedida à empresa Rápido Laser, do Grupo José Amorim, de Sergipe. Amorim é genro do ex-governador de Sergipe João Alves (PFL). A empresa obteve empréstimo sem dar garantia em troca. O que causou estranheza no próprio Banco foi que o endereço que constava do contrato de leasing firmado com a empresa sergipana era de uma das propriedades do deputado federal eleito Joaquim dos Santos Filho, pai de Osvaldo Magalhães dos Santos e amigo pessoal do ex-governador João Alves.
Os problemas envolvendo o Banestado e a Leasing foram levantados em parte na CPI dos Precatórios, realizada no ano passado, da qual o senador Roberto Requião foi relator. (Colaborou Carmem Murara)


