Curitiba- ''Nós vencemos e radicalizamos nossos compromissos com um governo de esquerda, fortemente enraizado nas classes populares, desvinculado do grande capital e na contramão dos preceitos e regras da globalização''. Foi assim que o governador Roberto Requião (PMDB) resumiu seus sete anos e três meses frente ao Governo do Estado, em sua prestação de contas de gestão, feita ontem de manhã, no Teatro Guaíra para uma plateia de aproximadamente 3 mil pessoas. Requião entrega hoje à noite, em cerimônia oficial, na Assembléia Legislativa, o cargo para o vice Orlando Pesutti, conforme determina a lei eletoral.
Requião deixou claro que fez um governo baseado em ''escolhas'', o que, segundo ele, lhe renderam ''preços altos'', em várias ações judiciais por ofensa moral acumuladas por suas declarações na Escola de Governo. ''Nunca apanhei tanto do que quando decidi rever os contratos da Copel e o pacto de acionistas da Sanepar, além da reversão da privatização da Ferroeste'', disse. E ressaltou que, além da oposição, sofreu críticas constantes da mídia durante todo seu governo.
Apesar da oposição, Requião disse que o governo conseguiu ''salvar a Copel'', que era deficitária e em 2009 fechou o balanço com lucro na casa de R$ 1 bilhão, além de ter a tarifa mais baixa do país. A Sanepar, por sua vez, depois que voltou às mãos do Estado, não precisou mais distribuir lucros aos acionistas e criou a maior rede de distribuição de água do País e restabeleceu a tarifa social.
Outra batalha ''dificílima'' foi a recuperação do Porto de Paranaguá, que, de acordo com Requião, estava sendo ''preparado para a privatização para ser arrematado a preço de banana''. O porto, segundo ele, sofria com ''calotes de tarifas, com a indústria de horas-extras indevidas, balanças com má aferição e fraude de cargas''. Com o fim desses problemas e mais obras, o porto se modernizou e passou de uma receita cambial de U$ 2 bilhões em 2002 para U$ 12 bilhões no ano passado.
A luta contra os transgênicos, segundo ele, ''valeu'', já que o Estado tem, hoje, a menor área plantada, o que garante melhores preços internacionais. Na luta contra o pedágio, o Estado acumulou mais de ações judiciais contra as concessionárias. Mas, segundo Requião, foi graças à posição do Paraná que o governo federal adotou um outro modelo, que resultou em tarifas ''mais decentes''.
De acordo com Requião, o primeiro mandato, de 2003 a 2006, foi destinado a ''refundar o Estado'', tratando de verificar a capacidade de administração, reequilíbrio das contas e recuperação das estatais. Só na segunda metade do governo, que o programa de ações e obras pôde ser consolidado. No setor de saúde, ele ressaltou a construção de 13 hospitais públicos e obras de reformas e ampliação em outros 31, e a construção de 347 Clínicas da Mulher e da Criança. Na Educação, o Paraná investiu, segundo ele, 30% do orçamento, o maior índice do País.
Requião enfatizou, ainda, a criação de empregos. Nos oito anos anteriores, disse, foram criadas 38 mil vagas com carteira assinada, contra 773 mil novos empregos com carteira criados nos seus sete anos de governo. O governador citou ainda a recuperação de 8 mil quilômetros de estradas estaduais.
Na área da segurança, o Estado construiu 12 penitenciárias, e mais três estão sendo construídas, equipou a polícia e aumentou o efetivo. Requião reconheceu, no entanto, que ''não há polícia nem penitenciária que chegue''. Hoje as penitenciárias já estão cheias e delegacias estão lotadas. ''Este é um problema do governo federal. Tudo isso vai ser sempre insuficiente dentro de um modelo aconômico que valoriza o capital vadio e os bancos ao invés da produção''.

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