Requião desdenha debandada do PPS
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terça-feira, 19 de julho de 2005
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) que anteontem dizia que o partido dele e o PPS viviam um caso de amor, fez pouco caso ontem da sigla alegando que seria razoável que o PPS deixasse a base de apoio no Palácio Iguaçu. Para Requião, fica claro que o PPS tem pretensão de lançar candidato próprio para as eleições de 2006. Este seria o verdadeiro motivo da crise entre os dois partidos. ''Não sei se vai fazer falta. Mas se o PPS quer lançar candidato próprio ao governo do Estado, é razoável que saia'', declarou ele.
O rompimento do PPS e do PMDB afeta imediatamente a diretoria da Companhia Paranaense de Gás (Compagas), que hoje é chefiada por Rubico Camargo. Apesar de não ter recebido orientação específica do partido para que deixasse o cargo no governo do Estado, ele já teria anunciado que pediria exoneração. A princípio, nem mesmo a exoneração de Camargo teria gerado desconforto dentro do Palácio Iguaçu. Requião disse ontem que tinha outros 30 bons nomes para substituí-lo na estatal. No entanto, ele não citou nenhum.
Ao contrário do que diz Requião, a bancada do PPS na Assembléia Legislativa é que tomou a decisão de romper com o governo e se afastar da base de apoio. E não o ex-deputado federal Rubens Bueno, virtual candidato ao governo do Estado em 2006. A decisão teria sido tomada porque os parlamentares estariam indignados com as ações do PMDB, que no início deste mês teria começado a assediar prefeitos do PPS para que mudassem de partido.
O presidente estadual do PMDB e líder do governo na Assembléia Legislativa, Dobrandino Gustavo da Silva, negou que tenha havido tentativa de cooptar prefeitos do PPS com vistas nas eleições do ano que vem. ''Eu não cooptei ninguém para vir para o PMDB. Agora quem quer vir, que venha. Não vamos impedir'', pontuou ele.
Entretanto, Dobrandino acredita que nada deverá mudar na Assembléia Legislativa. ''Confio nos deputados. Eles podem ir para a bancada independente. Mas não vão ser oposição sistemática. Eles vão procurar fazer o melhor para o Paraná'', considerou.


