O evento que teria contornos econômicos acabou mudando de cor e se tornando palco de uma série de ironias políticas a virtuais pré-candidatos ao governo do Estado em 2006. Assim transcorreu a visita do governador Roberto Requião (PMDB), ontem à tarde, à feira Movelpar, no recinto Expoara, em Arapongas (37 km a oeste de Londrina). O que de início parecia parte de uma agenda 'light' passeios pelos estandes, fotos com os expositores, cumprimentos a políticos locais entornou para um convite em tom intimidativo feito aos senadores Osmar Dias (PDT) e Álvaro Dias (PSDB): ''Vou designá-los por decreto governamental para negociarem com os concessionários (a redução das tarifas de pedágio) em nome do governo. Se o fizerem melhor do que nós, farei um elogio público aos dois e um diploma de pergaminho de pele de carneiro a cada um''.
Requião expôs o ''convite'' em uma pausa do passeio, mas fez questão de reforçá-lo, minutos depois, na entrevista coletiva improvisada sob o forte calor do local. O tom adotado aos irmãos Dias foi o mesmo utilizado por ele quanto ao veto de verbas às regiões metropolitanas de Londrina e Maringá (veja texto nesta página).
As críticas aos dois senadores reverberam as declarações dadas por eles de que o governo não estaria sendo competente nas negociações da redução das tarifas de pedágio. ''A partir de hoje, eles serão negociadores do Paraná junto às concessionárias para reduzir a tarifa mais do que o Estado já reduziu. O Osmar me criticou e disse que negociaria direto com os concessionários, mesmo com as batalhas judiciais que ganhamos e perdemos. Quanto ao Álvaro, me cansei de ele dizer o que deveria ser feito. Se conseguirem a redução, homologo o acordo deles'', desafiou Requião.
O peemedebista salientou que o Estado barrou pelo menos 44% de aumentos, apesar de decisões recentes do Tribunl Regional Federal (TRF) da 4 Vara, de Porto Alegre (RS), terem permitido o reajuste em praças da Econorte e da Rodonorte. ''Estamos nessa briga e vamos criar um pedágio estadual que vai custar 20% das concessionárias para mostrar que, se o pedágio for necessário, tem que ser barato'', definiu. Em relação a Álvaro, Requião o acusou indiretamente de incoerência por criticar hoje contratos assinados pelo então governador Jaime Lerner (PSB), suposto padrinho político do tucano nas eleições de 2002. ''Se ele e o irmão estão criticando tudo isso e são senadores do Paraná, deveriam deixar de conversa mole e nos ajudar. Ou pegam, ou fogem e não falam mais no assunto'', ameaçou.
A Folha tentou contato com Osmar Dias, mas a assessoria informou que ele estava no Plenário. A ligação não foi retornada. Álvaro devolveu o convite de Requião com outro: ''Se ele é incompetente para assumir promessa de campanha (Requião prometeu baixar ou entinguir o pedágio), o que melhor que faz é renunciar'', afirmou, defendendo-se da associação com Lerner. ''Pessoas como Alceni Guerra e Hermas Brandão eram ligadas a ele (Lerner) e agora estão com Requião; não tive apoio lernista''. Dias negou o posto de ''negociador'', mas frisou que vai continuar cobrando do governo, não das concessionárias.

mockup