Requião depõe e reafirma desvio de dinheiro do DER
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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007
Rodrigo Lopes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) e a publicitária Cila Schulmann estiveram frente a frente ontem durante audiência em uma ação por calúnia, injúria e difamação ajuizada por ela, em 2003, contra o chefe do Executivo estadual. Em seu depoimento, Requião reafirmou as denúncias de que R$ 10 milhões pagos pelo Departamento de Estradas e Rodagem (DRE) ao empreiteiro Darci Fantin teriam ido parar nas mãos de Cila para pagamento de despesas da campanha de Beto Richa (PSDB) ao governo do estado em 2002. O juiz da 16 Vara Cível de Curitiba, Marcos Vinícius da Rocha Loures Demchuk, ouviu as duas partes e marcou outra audiência para o dia 19 de abril, em que pretende interrogar Fantin e outras duas testemunhas: o procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, e o secretário especial de Relações Internacionais e Cerimonial, Jacir Bergmann II.
No último dia 13, a intimação de Requião para comparecer à audiência de ontem gerou uma profunda crise entre o governador e Beto Richa, prefeito de Curitiba. Após ter sido intimado, Requião contou o caso na escola semanal de governo. Richa reagiu chamando o governador de covarde.
No início da audiência, o juiz tentou um acordo entre as partes. Mas Requião foi claro. ''Não há agressão, não há ilícito penal, então não vejo motivo (para acordo)'', disse o governador. Em seu depoimento, Requião confirmou as acusações. Contou que em seu primeiro mandato, entre 1993 e 1994, liberou recursos para a duplicação da rodovia Curitiba-Garuva. ''Mas quando assumi em 2003, caiu na mesa do procurador-geral um cheque de R$ 10 milhões assinado pelo José Richa Filho (irmão do prefeito e ex-diretor financeiro do DER) correspondente a pagamentos remanescentes da obra'', disse. ''Eu sabia que esta dívida não existia e determinei ao procurador que entrasse em juízo.''
Em 23 de abril daquele ano, a Justiça concedeu liminar ao governo, determinando o resgate dos bens de Darci Fantin para ressarcir os cofres públicos. Dias depois, Requião afirmou ter sido procurado pelo empreiteiro. ''Ele me procurou dizendo que no 2º turno das eleições (de 2002) algumas pessoas do PSDB me apoiaram e que eu devia relevar a questão'', contou. ''Ele me disse: 'Requião, você é amigo do (Euclides) Scalco e do José Richa Filho. Eles montaram esse processo administrativo (no DER) e pediram que eu recebesse, mas eu não fiquei com esse dinheiro'', acrescentou. Em nota oficial, Fantin negou ter conversado com Requião.
O governador disse ainda que, segundo Fantin, o dinheiro teria se destinado ao pagamento de despesas de marketing da campanha de Beto Richa em 2002 e que teria sido entregue a Cila Schulmann. Ainda segundo Requião, posteriormente Fantin teria procurado Botto de Lacerda e Bergmann reclamando de perseguição e contando a mesma história. Já Cila Schulmann em seu depoimento negou ter recebido qualquer dinheiro com ligação aos R$ 10 milhões do DER. ''Não conheço o empresário (Fantin) e desconheço totalmente os fatos'', disse.
Por causa das divergências e por novas testemunhas terem sido arroladas pelo governador, o juiz marcou uma nova audiência para o dia 19 de abril. O juiz considera Fantin como peça-chave no processo.


