Curitiba - O presidente do PMDB estadual, senador Roberto Requião, denunciou ontem no Senado suposto superfaturamento nas obras de Porto Camargo, um complexo de pontes sobre o Rio Paraná, que liga o Estado ao Mato Grosso do Sul. Requião afirmou que a obra custou quatro vezes mais do que outras construções semelhantes. O secretário estadual dos Transportes, Wilson Justus, refuta a denúncia, e acredita que a acusação pode ter conotação eleitoral.
As pontes foram inauguradas na quinta-feira passada pelo governador Jaime Lerner (PFL) e pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Requião é adversário do grupo lernerista na disputa pelo governo.
O senador comparou os custos de Porto Camargo com os gastos na ponte de Guaíra, construída durante seu governo e inaugurada por Lerner, em 1998. A ponte de Guaíra consumiu R$ 5 milhões por quilômetro, segundo ele. Já Porto Camargo custou R$ 21 milhões o quilômetro, pelos cálculos de Requião. Com base nesses números, o senador avalia que o custo total não poderia ter passado de R$ 40 milhões. Justus afirma que Porto Camargo custou R$ 1 mil o metro quadrado. O total foi de R$ 155 milhões.
‘‘O senador esquece que tivemos que fazer, além da ponte, uma série de medidas mitigadoras e compensatórias, incluindo aterros em terrenos pantanosos, porque o Parque da Ilha Grande é área de proteção ambiental’’, argumentou o secretário de Lerner.
Os senadores paranaenses Alvaro e Osmar Dias (ambos do PDT) exigiram investigações do Ministério Público federal, do estadual e da Assembléia Legislativa do Paraná, por meio de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
As obras foram iniciadas no governo Alvaro Dias (1987-1990). Requião foi o sucessor de Alvaro no Palácio Iguaçu.

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