Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
Tá na mãoRoberto Requião mostra fita cassete: avanço contra o governo e defesa do líder do PMDB, Paes de AndradeO senador Roberto Requião (PMDB-PR) apresentou ontem em plenário uma fita cassete gravada que, segundo ele, comprova a corrupção no governo e um mercado de emendas e de votos. Requião disse que o mercado de votos e de corrupção é comandado pelo ministro de Coordenação Política, Luiz Carlos Santos, a pedido do próprio presidente Fernando Henrique Cardoso.
A fita foi gravada pelo deputado Maurício Requião (PMDB-PR), irmão do senador, e se refere a um pedido de liberação de verbas para emendas paroquiais feita ao chefe de gabinete interino do Ministério da Saúde, Marcelo Azalin. A gravação ocorreu, segundo o senador Requião, no dia 22 de dezembro. Durante a conversa, Maurício Requião pergunta pelo destino das suas emendas e das apresentadas pelo irmão. Azalin pede tempo. Ao retornar a ligação, afirma que há um problema político e que os irmãos Requião têm de procurar o ministro Santos.
Roberto Requião associou o veto à liberação das emendas de parlamentares contrários ao governo e ao movimento dentro do PMDB que visa, segundo ele, tirar o presidente Paes de Andrade (CE) da direção do partido. Ao mesmo tempo, segundo o senador, o governo busca impedir que o PMDB tenha um candidato a presidente da República. Ele próprio, além do senador e ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) e do ex-presidente Itamar Franco, têm intenção de disputar o cargo.
Requião acusa o governo Fernando Henrique de querer ‘‘conduzir o processo político, na forma sórdida da compra de votos que presidiu a votação da emenda da reeleição’’. Segundo o senador, prefeitos - de Campina Grande do Sul e de Perobal - o procuraram pedindo que ajudasse a liberar verbas orçamentárias, e sugeriram que fosse ao ministro Luiz Carlos Santos. ‘‘Pedi ao prefeito que procurasse Luiz Carlos Santos em meu nome e lhe dissesse alguns desaforos’’, contou Requião. O prefeito, então, afirmou o senador, foi atrás do líder do PSDB, Aécio Neves (MG), e conseguiu liberar o dinheiro.
De acordo com Requião, o presidente Fernando Henrique Cardoso, o ministro da Justiça, Iris Rezende, o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, e o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), querem destruir o PMDB e depor o presidente Paes de Andrade. ‘‘Querem subordinar o partido a seus interesses e manipulam a mesquinharia, a miséria das emendas orçamentárias feitas pelos parlamentares.
A assessoria do ministro Luiz Carlos Santos, que está de férias no Caribe, nega participação do ministério ou de quaisquer dos seus auxiliares na não liberação de recursos para qualquer parlamentar. A explicação é que o corte de emendas é feito por critério técnico e não envolveria o ministro. No ministério da Saúde, o ministro Carlos Albuquerque avisou que não trataria do assunto enquanto não recebesse informações oficiais sobre a denúncia. O ministério afirma desconhecer a história que envolve um assessor do ministro.

mockup