Requião denuncia cheques fantasmas
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terça-feira, 10 de junho de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
Arquivo FolhaElo perdidoRequião: em busca do elo entre o governo do Paraná e a Assempre, envolvida no esquema dos precatóriosO senador Roberto Requião (PMDB) está preparando uma surpresa para a comitiva de empresários e lideranças políticas que desembarca hoje em Brasília para fazer pressão pelo desbloqueio dos empréstimos do Paraná no Senado. Requião vai entregar a cópia de dois cheques que podem envolver o Palácio Iguaçu no esquema de lavagem de dinheiro, investigado pela CPI dos Títulos Públicos no Congresso.
Segundo o senador, o staf do governador Jaime Lerner (PDT) usou a empresa Assempre (Consultoria e Assessoria Empresarial) para pagar três pesquisas de opinião, feita pela CPBA - Companhia Brasileira de Pesquisa de Mercado -, no segundo turno das eleições em Londrina, em novembro do ano passado. A Assempre é apontada pela CPI como receptora de R$ 7,5 milhões da Corretora IBF pela transação de títulos públicos dos governos de Santa Catarina e de Alagoas e de tê-los lavado no mercardo.
Os dois cheques (cujas cópias foram antecipadas ontem à Folha pelo senador, via fax), um de R$ 18,4 mil e o outro de R$ 14,4 mil, conseguidos com a quebra de sigilo da Assempre, são do Banco do Brasil e foram depositados na conta do diretor executivo da CBPA, Orjam Olsen, numa das agências do Unibanco. A Assempre repassou todo o dinheiro conseguido com a IBF através de 600 cheques, dois dos quais para a CBPA, que alega ter prestado serviço para a disputa eleitoral em Londrina, diz Requião, que quer saber qual a ligação do governo do Paraná com a Assempre.
O senador afirma ter conversado - como relator da CPI dos Títulos Públicos - com o proprietário da empresa de pesquisa e confirmado a prestação do serviço. Requião disse que manteve uma conversa por telefone com o prefeito de Londrina, Antonio Belinati (PDT). O Belinati me garante que não foi ele quem pagou a pesquisa e sim o Palácio Iguaçu, antecipa.
Requião promete ainda entregar hoje ao prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi (PDT), e ao presidente da Fiep, José Carlos Gomes Carvalho - os organizadores da caravana -, uma cópia da proposta feita pela CBPA ao governo do Estado e intermediada pela Singular Comunicação, a empresa da ex-secretária da Comunicação, Cila Schulman, uma das integrantes do comitê eleitoral de Belinati em Londrina.
Na proposta, a CBPA se comprometia a fazer uma avaliação dos programas eleitorais exibidos no primeiro turno, o acompanhamento dos programas do segundo turno e a realização de três pesquisas eleitorais. De acordo com o senador Requião, o Palácio Iguaçu aceitou apenas parte do projeto, as três sondagens eleitorais.
O Palácio Iguaçu não quis comentar ontem as acusações de Requião. O secretário-chefe de gabinete, Gerson Guelmann - um dos coordenadores da campanha de Belinati, em Londrina - disse duvidar que o prefeito tenha dito a Requião que quem pagou as pesquisas foi o governo do Estado. O Requião está desesperado porque o cerco está fechando. Hoje, ele será confrontado com as lideranças políticas e empresariais que querem a liberação dos empréstimos, rebateu.


