Requião deixa cargo para apoiar Vanhoni
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terça-feira, 26 de outubro de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) se licenciou ontem do cargo para se dedicar à campanha do deputado estadual Angelo Vanhoni (PT) à Prefeitura de Curitiba. Apesar de admitir que Beto Richa (PSDB) está com vantagem na eleição, Requião acredita que irá ajudar Vanhoni a vencer Richa no segundo turno. ''Estou me afastando por quatro dias úteis movido pela paixão que tenho pela minha cidade. Sou curitibano de nascimento. Tenho preocupação com o destino da cidade nos próximos anos. Vou defender meus princípios ideológicos e programáticos'', discursou Requião, durante a solenidade de transmissão de cargo de governador para o vice, Orlando Pessuti. Como acumula a pasta de secretário de Estado de Agricultura, Pessuti entregou o cargo na secretaria para o diretor-geral Nilton Pool Ribas.
Requião voltou a fazer críticas aos políticos que comandaram Curitiba nos últimos 16 anos, todos aliados do ex-prefeito e ex-governador Jaime Lerner (PSB). ''Os 16 anos de domínio desse grupo resultaram na tentativa de venda da Copel, isenção das montadoras de impostos, impostos pesados para os pequenos empresários. Nós invertemos esse jogo. É a diferença básica entre a banda de lá e a banda daqui'', pontuou, fazendo relação entre Richa e o grupo de Lerner.
Para vencer a eleição, Requião aposta no crescimento de Vanhoni através do corpo a corpo com a população e horário eleitoral gratuito. ''Vamos crescer dois pontos e a banda de lá vai cair dois pontos. Com isso, a gente ganha essa eleição para fazer uma prefeitura consequente e séria na condução do interesse público. É a contribuição do velho MDB de guerra para que Curitiba não volte atrás'', disse ele, ao fazer referência à sua campanha vitoriosa em 1985, quando conquistou a Prefeitura de Curitiba com o slogan ''Voltar atrás, nunca mais''. ''Vamos decretarar o fim do conservadorismo e da velha política do Paraná''.
Requião começou a campanha ontem mesmo participando de carreatas pelo centro de Curitiba e nos bairros. Ele também esteve presente no comício de Vanhoni. ''Vamos ganhar com campanha de rua e na televisão. Agora ele (Vanhoni) está perdendo, mas vamos mudar esse jogo. O jogo vai virar. É minha obrigação. Estou cumprindo meu dever de cidadão'', disse, em entrevista à imprensa. Vanhoni disse ontem que a presença de Requião vai ajudar a alavancar a campanha para a prefeitura. ''A campanha vai ser decidida no corpo a corpo. Nisso a presença do governador será fundamental. Temos que mostrar aos comerciantes do Bacacheri e do Portão que temos alternativas para eles. A sociedade quer mudanças e temos propostas nas áreas de saúde, nos bairros, para os jovens e para os idosos'', apostou Vanhoni, em entrevista à Folha, pouco antes da carreata com Requião.
Enquanto permanecer no cargo, Pessuti não acredita que tenha problemas sérios para serem enfrentados. Ele apontou apenas para um compromisso importante: a reunião do secretariado, marcada para amanhã. Na reunião, Pessuti vai apresentar a Escola de Governo para treinamento e qualificação dos servidores públicos. Também vai ser apresentado o programa das Cooperativas de Crédito para os agricultores paranaenses. A reunião foi transferida para amanhã (em vez de terça-feira, como sempre ocorre) porque é o dia do funcionalismo público.


