Arquivo FolhaRequião: presidente do Bradesco enviou receita de pizza à CPIO relator da Comissão Parlamentar de Inquérito dos Títulos Públicos, senador Roberto Requião (PMDB-PR), sugeriu ontem no Rio que os integrantes da comissão que não concordam com seu relatório apresentem ‘‘votos em separado’’, durante a votação no plenário da comissão. ‘‘Os pizzaiolos são diversos’’, justificou. ‘‘Acho que quem quiser fazer alguma ressalva ao texto deve assumir sua postura.’’ Segundo Requião, estes votos seriam anexados ao relatório final a ser enviado ao Ministério Público (MP). ‘‘Os senadores podem votar a favor da essência do relatório e discordar de alguns pontos’’, disse. Ele só não concorda com a apresentação de emendas. ‘‘Não podemos emendar fatos’’, alegou.
O parecer de Requião deverá ser votado dia 22. Ele disse ainda que o presidente do Bradesco, Lázaro Brandão, ‘‘enviou uma receita de pizza’’ à CPI. Brandão encaminhou ao presidente em exercício da comissão, senador Geraldo Melo (PSDB-RN), uma carta pedindo que seja feito um reexame de trechos do relatório que envolvem o banco e dos termos usados em relação ao Bradesco.
‘‘Se o Lázaro não queria ver seu banco envolvido na CPI, não deveria ter participado da cadeia da felicidade (grupos de instituições que negociaram com os títulos públicos)’’, disse Requião. Segundo ele, o depoimento do dono da corretora Paper, Augusto César Falcão de Queiroz, dizendo que sua empresa atuava como broker (operador) para o Bradesco e os documentos apreendidos na instituição e na corretora Tarimba mostram a participação do Bradesco nas operações com os títulos. ‘‘Estão querendo suprimir documentos’’, protestou o senador.
Para ele, ‘‘estão querendo que o relator veja as provas de óculos escuros e com uma bengala branca, como um cego’’. O senador disse ainda que na comissão existem articulações para que sejam feitas ‘‘pizzas pessoais’’. ‘‘Tem a receita do Fleury e a do Maluf, entre outras’’, disse o senador, referindo-se aos políticos que tentam ter seus nomes excluídos do relatório final. Requião citou apenas o senador Epitácio Cafeteira (PPB-PB) como defensor do ex-prefeito Paulo Maluf.
Segundo ele, apesar de ter sido duro com o governo do Estado de Pernambuco - onde de, de acordo com Requião, ocorreram a maior parte das irregularidades, o governador Miguel Arraes (PSB) não está envolvido no esquema de fraudes. ‘‘Mas ele tem de se responsabilizar pelo que acontece no Estado.’’
O mesmo caso ocorre no Estado de São Paulo. ‘‘Tenho certeza que o governador Mário Covas é um homem sério, mas o Estado emitiu mais títulos do que podia’’, afirmou Requião. O relator disse, apesar da polêmica com as emendas, acreditar que o seu relatório será aprovado. Mesmo que isso não aconteça, Requião disse que levaria o documento ao MP por sua própria conta.

mockup