O senador Roberto Requião (PMDB) orientou ontem os deputados eleitos das bancadas federal e estadual de seu partido a manter uma postura de oposição ao presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e ao governador Jaime Lerner (PFL). A recomendação de Requião, que também é presidente estadual da sigla, foi feita em Curitiba, durante a primeira aparição dele depois das eleições de 4 de outubro. Depois da derrota sofrida para Lerner no governo do Estado, o peemedebista viajou para Brasília.
‘‘Qualquer posição de conciliação agora com o governo estadual ou federal é um crime contra o Paraná e o Brasil’’, afirmou. ‘‘Em Brasília, os deputados federais do PMDB têm que se unir aos partidos que fazem oposição ao Fernando Henrique e no Paraná têm que manter a oposição ao Lerner’’, emendou. A bancada do PMDB na Câmara é majoritariamente governista.
Ele propôs que o partido se oponha ao pacote econômico de FHC e que os deputados estaduais votem contra a venda da Copel e resistam à privatização do Banestado. Requião disse que o ajuste fiscal do governo federal não resolverá o problema das contas públicas e, mais uma vez, punirá os trabalhadores. ‘‘É ridículo e ineficaz qualquer ajuste com juros de mais de 40% como os praticados hoje no País’’.
Requião criticou ainda a aceitação, pelo Brasil, das regras do Fundo Monetário Internacional (FMI). ‘‘Se a oposição não for contra esse pacote, o Brasil volta à condição de colônia’’, alertou.
Ele acredita que o fato de os peemedebistas Íris Rezende, de Goiás; Antônio Britto, do Rio Grande do Sul e Jáder Barbalho, do Pará, não terem sido eleitos representa a derrota da ala governista. ‘‘É por isso que agora o PMDB tem de estar mais firme do que nunca na oposição’’.
Sobre o Paraná, ele disse que o governo está quebrado graças a Lerner. ‘‘O governo não tem dinheiro para pagar os salários de outubro, novembro, dezembro e o 13º do funcionalismo e vai precisar de mais de R$ 600 milhões para fechar as contas até o final do ano’’, afirmou. Requião disse que o PMDB não pode permitir que ‘‘essa irresponsabilidade do governo seja coberta com a venda do patrimônio estadual como a Copel e o Banestado’’. Em entrevista publicada recentemente na Folha, o secretário de Administração, Reinhold Stephanes Júnior, admitiu que o governo passa por dificuldades que, segundo ele, foram causadas pela crise que afeta o País, mas que os salários do funcionalismo, incluindo o 13º, serão pagos em dia.

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