Requião defende integração sul-americana
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segunda-feira, 05 de maio de 2008
Rosiane Correia de Freitas<br> Equipe Folha 
Curitiba - O governador Roberto Requião defendeu ontem uma maior aproximação entre o Paraná e os países sul-americanos. ''Temos que ir além do intercâmbio superficial entre São Paulo e Buenos Aires'', declarou. ''Esse é nosso esforço para fazer fluir uma visão de comunidade sul-americana'', apontou ao apresentar a comitiva da província de Tucumán, que visitou Curitiba ontem. Requião e o governador de Tucumán, José Jorge Alperovich, assinaram um protocolo de intenções. Segundo Requião, o Paraná já possui ''relação satisfatória'' com outras províncias argentinas como Córdoba e Missiones.
A produção de combustíveis ecológicos será um dos focos da cooperação entre o Paraná e a província de Tucumán, noroeste argentino. Para os argentinos, a aproximação tem razões mais práticas. A região produz 66% do açúcar do país e está interessada em se beneficiar da tecnologia brasileira do etanol. ''Queremos aproveitar a alta produtividade da cana-de-açúcar'', explicou Alperovich.
O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) poderá repassar ao parceiro argentino a tecnologia desenvolvida no Estado de produção de biodiesel a partir de qualquer matéria-prima. O Instituto mantém uma usina modelo na qual produz 800 litros de combustível por dia. A produção tem sido submetida e testes de desempenho. ''Nossa meta é conseguir que as fábricas garantam a manutenção dos motores alimentados com biocombustível'', declarou Requião.
A cooperação na área deve passar também por intercâmbios entre pesquisadores e alunos das universidades estaduais paranaenses e argentinas. ''Temos um programa de pós-graduação em bioenergia que poderá contar com a participação de universidades conveniadas'', adiantou a secretária de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Lygia Pupatto. ''Estamos trabalhando no desenvolvimento de tecnologia que permita a produção de biodiesel nas propriedades rurais, o que elimina o custo de transporte'', apontou Requião.
A cooperação também deve trazer benefícios para estudantes das universidades estaduais interessados em ter uma experiência no exterior no currículo. A Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) está planejando a implantação de programas de intercâmbio que permitam a realização de estágios ou créditos de cursos fora do país.


