Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) utilizou ontem a reunião semanal de seu secretariado para defender a atuação do irmão, Eduardo Requião, à frente da administração dos Portos de Paranaguá e Antonina justificando a sua promoção ao cargo de secretário especial. A medida adotada na semana passada pelo governador foi uma tentativa de driblar a resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) que proíbe o nepotismo nos Três Poderes.
Diversos órgãos ligados à atividade portuária deram testemunhos sobre o desempenho do porto. Ao final das explanações no Museu Oscar Niemeyer, Requião afirmou que a intenção era apresentar Eduardo como administrador e não como nepotista.
A grande maioria dos convidados aproveitou para demonstrar os resultados positivos de seus segmentos e elogiar a administração do porto, mas alguns destacaram a necessidade de realização de dragagem no canal da galheta. Na opinião do presidente da Câmara Setorial de Paranaguá, Kalil Hamud, ''o grande salto econômico vai ser quando for dragado o canal''. Também o diretor de operações da Hamburg Sul International, Michel Martins da Silva, frisou a necessidade de aprofundar e alargar o canal, que atualmente impede a navegação de navios à noite.
Requião respondeu que a dragagem será feita com verba federal, e afirmou que a baixa profundidade do calado não dificulta a movimentação no porto. Ele classificou ainda como ''lenda'' o argumento de que a falta de dragagem prejudica a movimentação no porto. Eduardo afirmou que os outros portos brasileiros têm profundidades inferiores à de Paranaguá e nem por isso são criticados. ''Como perdemos carga para Itajaí (SC) se temos 12 metros (de calado) e eles tem dez metros e meio? Estranho isso'', ponderou.
Eduardo informou ainda que a Justiça Federal, em Brasília, concedeu liminar ao empresário João Ribeiro, em uma ação que questiona a intenção do Estado de desapropriar terras em Pontal do Paraná para a construção do Porto de Pontal do Poço, conhecido também como Porto do Mercosul. Segundo o procurador-geral do Estado, Carlos Marés, o próximo passo é conhecer o teor da liminar concedida para estudar as medidas cabíveis. O Porto de Pontal do Poço é classificado como ''porto de transbordo''. Como tem grande profundidade de calado permite que navios de grande porte atraquem e que sua carga seja distribuída em navios menores.
Estiveram presentes na ''escolinha'' representantes da empresa paranaense de classificação (Claspar), do Ministério da Agricultura, da Associação de Produtores de Álcool e Açúcar (Alcopar), da Associação Brasileira de Terminais e Contêiners, dos trabalhadores avulsos do porto, além de dirigentes de empresas que utilizam o terminal portuário em seus negócios.

mockup