Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) respondeu com um ato de intervenção à determinação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) de adotar providências em relação à Ferropar subconcessionária que administra os 248 quilômetros da linha ferroviária entre Guarapuava e Cascavel , cujo prazo venceu ontem. O anúncio da intervenção, na tarde de ontem, também coincidiu com um manifesto de representantes do setor produtivo paranaense, no Palácio Iguaçu, pela retomada da Estrada de Ferro Paraná Oeste (Ferroeste).
No momento em que o governador anunciava a intervenção, o diretor técnico da Ferroeste, Leopoldo Campos, e o interventor indicado pelo grupo de Ferroviários, o consultor Saulo de Tarso Pereira, comunicavam a decisão à direção da Ferropar, em Cascavel. Por seis meses, a administração da ferrovia ficará sob intervenção. O governo alega que a Ferropar não vem cumprindo os compromissos estabelecidos no contrato de privatização.
Segundo o governador, a Ferropar, além de não cumprir o pagamento dos R$ 25 milhões (valor pelo qual a ferrovia foi leiloada), não tem estrutura para escoar a safra da região Oeste. ''Ela deveria transportar 4,7 milhões de toneladas por ano, mas o volume não passa de 350 mil a 400 mil toneladas'', afirmou. Requião disse, ainda, que a intervenção foi o primeiro passo, e que outras medidas, inclusive, judiciais, deverão ser adotadas para a retomada definitiva da ferrovia. ''Não podemos abrir mão de um investimento público dessa monta'', acrescentou Requião, ao lembrar dos mais de R$ 1,1 bilhão aplicados pelo governo na construção da ferrovia.
O diretor administrativo, financeiro e jurídico da Ferroeste, Samuel Gomes, explicou que simultaneamente à intervenção será instaurado um procedimento administrativo para apurar a situação da Ferropar e suas responsabilidades na administração da malha ferroviária. Caso seja confirmada a incapacidade operacional e insolvência apontadas pela ANTT, afirmou ele, o contrato pode ser extinto. No período de intervenção, as relações contratuais com funcionários e fornecedores serão mantidas, assegurou Gomes.
O ato de intervenção, destacou Gomes, tem 54 páginas, que fundamentam a decisão do governo. ''O objetivo é de evitar riscos eminentes à economia do Estado, à vida, à propriedade e ao meio ambiente'', declarou.
O diretor jurídico da Ferropar, Juliano Huck Murbach, disse que a empresa ainda irá analisar o que será feito em relação à decisão do governo e não descarta a possibilidade de ingressar com medidas judiciais para retomar o controle da ferrovia.

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