Requião dá 'ultimato' a Pessuti
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terça-feira, 13 de abril de 2010
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As trocas de nomes em postos de comando do Executivo, anunciadas ontem pelo governador do Paraná, Orlando Pessuti (PMDB), provocaram a ira do ex-governador Roberto Requião, agora pré-candidato ao Senado pelo PMDB. Requião fez, ao longo do dia, uso do seu Twitter na internet para criticar as mudanças anunciadas e até dar uma espécie de ultimato a Pessuti, que é pré-candidato ao governo do Estado nas eleições de outubro. ''Se o Pessuti não se viabilizar em trinta dias nosso PMDB deve costurar uma aliança que garanta as linhas básicas de nosso governo'', escreveu ele.
O ultimato repercutiu entre lideranças peemedebistas. E até mesmo membros da ala do PMDB afinada com o PSDB de Beto Richa saíram em defesa de Pessuti. ''Eu defendo a aliança com o PSDB, mas o plano número um é a candidatura própria'', disse o deputado estadual Dobrandino da Silva (PMDB), ex-presidente da legenda no Paraná. Segundo ele, não haveria dúvida sobre o crescimento de Pessuti nas pesquisas a partir da sua posse à frente do Executivo. ''Ele deve crescer bem, mas é lógico que 30 dias é pouco tempo'', disse.
O deputado estadual Waldyr Pugliesi, presidente do PMDB no Paraná, tentou colocar panos quentes na situação. Questionado sobre o prazo máximo estabelecido por Requião para a candidatura de Pessuti se tornar viável, Pugliesi respondeu que ''é uma coisa que não dá para mensurar''. Ele também afirmou que Requião apenas ''expressou sua opinião'' e que ''nós todos somos o partido''. ''O partido é o Requião, o Pessuti, os 136 prefeitos do PMDB, os quase 800 vereadores do PMDB. A maioria é quem decide sobre a candidatura ou não de Pessuti. Requião, como nossa maior figura, sempre será ouvido. Mas é preciso sabedoria para não perdermos a visão do partido'', afirmou.
Mas, Pugliesi acrescentou que não trabalha hoje com a hipótese de aliança e voltou a defender a candidatura de Pessuti: ''Se nós temos essa enorme presença política, por que não vamos para o segundo turno? Eu não acredito na polarização entre Beto Richa e Osmar Dias''. Para o presidente do PMDB, o ultimato de Requião a Pessuti não ajuda a legenda. ''Eu aposto num entendimento. Não podemos fazer o jogo dos nossos adversários. A unidade partidária é a nossa grande arma'', concluiu Pugliesi.
Retaliação
Um outro aliado próximo a Requião garantiu ontem que o ultimato tem ligação com as mudanças na estrutura do Executivo anunciadas por Pessuti. Em horários diferentes, Requião criticou no seu Twitter especificamente as saídas de Luiz Fernando Delazari da Secretaria de Estado da Segurança Pública, de Rogério Tizzot da Secretaria de Estado dos Transportes e de Rubens Guilhard da Companhia Paranaense de Energia (Copel). Sobre Tizzot, Requião disse que ele ''zerou a manutenção das estradas abandonadas do Paraná'' e foi ''demitido sem aviso prévio''. ''Quer conhecer o vilão dê o bastão'', escreveu Requião.
Delazari, Tizzot e Guilhard eram considerados o núcleo forte da gestão Requião. Outra surpresa foi a troca do secretário de Estado da Comunicação Social, Benedito Pires, substituído por Ricardo Cansian.
Mesmo entre peemedebistas, contudo, a saída do secretário de Estado da Segurança Pública foi considerada positiva. Para Dobrandino da Silva (PMDB), a troca na Pasta seria ''uma resposta à sociedade''. ''A área de segurança pública está ruim, é a área mais crítica hoje. O novo nome é experiente, sério, acho que haverá uma grande mudança'', disse. Ainda segundo Dobrandino, Requião deveria ''deixar o Pessuti governar, sem interferência''.
A liderança da oposição no Legislativo também se manifestou ontem favorável à saída de Delazari. Segundo nota divulgada à imprensa, a saída dele representa um ''clamor antigo'' da sociedade.


