Curitiba - A convenção que reconduziu Doático Santos ao comando do PMDB de Curitiba, ontem pela manhã, ocorreu em clima de campanha eleitoral. O governador do Paraná Roberto Requião (PMDB) sugeriu que o PMDB inicie um diálogo com as demais legendas de oposição à prefeitura de Curitiba para criar uma ''plataforma única'' nas eleições de 2008.
''Precisamos agora construir a base de um programa popular único para tirar aquela gente que não sai da administração municipal há 20 anos'', atacou ele, durante discurso. A prefeitura da Capital está hoje sob o comando do tucano Beto Richa, pré-candidato à reeleição no próximo ano. ''O Beto Richa tem o mesmo gabinete do Jaime Lerner (ex-prefeito de Curitiba e ex-governador do Estado)'', provocou Requião.
''O PMDB é o partido das classes populares, das minorias reprimidas, que no Brasil são desconsideradas por aqueles que só pensam em lucro. Nas eleições de 2008 temos que retomar velhas bandeiras com mais força. Curitiba não se resume à XV de Novembro, ao shopping center e aos condomínios fechados'', acrescentou Requião, já indicando qual deverá ser a linha de discurso na disputa do próximo ano.
O PMDB decidiu lançar candidatura própria no primeiro turno da disputa à administração da Capital, mas, num eventual segundo turno, Requião confirmou a intenção de uma aliança com o PT, que já tem pelo menos dois nomes para o pleito, Gleisi Hoffmann e o deputado estadual Tadeu Veneri. Siglas como PTB e PR também devem se unir à ''plataforma única'' de oposição. Depois do último debate entre os pré-candidatos pelo PMDB, previsto para hoje às 19 horas, ''devemos pensar num programa comum das oposições'', enfatizou ele.
Requião também tentou apaziguar ontem a divisão interna provocada pelo apoio aberto de Doático Santos a um dos pré-candidatos, o reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Carlos Augusto Moreira Júnior. Nos bastidores políticos, comentava-se que o presidente do diretório municipal estava apoiando o candidato já ''escolhido'' por Requião.
''Os quadros do PMDB para a disputa municipal serão selecionados por vocês, não por mim'', disse ele. Apesar da declaração, Moreira Júnior chegou junto com Requião ao local da convenção e brincou sobre o fato de estar usando o mesmo modelo de camisa do governador. ''Eu juro que nós não combinamos, é pura sintonia mesmo'', disse Moreira Júnior.
Além do reitor da UFPR, outros quatro pré-candidatos ao posto também discursaram durante a convenção em busca de apoio dos correligionários: deputados federais Marcelo Almeida e Rodrigo Rocha Loures, deputado estadual Stephanes Júnior e o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, hoje à frente da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar).
Sobre a posição do governador em relação ao segundo turno, Moreira Júnior disse que vê a sugestão ''com tranquilidade'', pois se sente ''próximo do PT''. ''Dificilmente não terá um segundo turno. Mas é positivo porque a polarização da disputa fica explícita'', disse ele.
Setores do PMDB, entretanto, não são unânimes quanto à possibilidade de um segundo turno entre uma sigla da oposição (encabeçada pelo PT ou PMDB) e o atual prefeito da cidade. ''Quero sair candidato para ganhar a eleição, quero ser o prefeito de Curitiba'', disse Greca, que é ex-aliado do governo Lerner e representaria um setor do PMDB mais distante do PT.

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