Na agenda do dia, a entrega de viaturas para o projeto Policiamento Ostensivo Volante (Povo) e para o Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate). Nos discursos, o governador Roberto Requião (PMDB) aproveitou a presença em Londrina, Arapongas e Cambé, ontem à tarde, para novamente criticar a política econômica do governo federal - aqui, nomeada por ele não exatamente pelo presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva, e sim pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci.
Com um tom nacionalista, Requião atacou por mais de uma vez a taxa de juros do País - hoje em 19,75% ao ano -, a comparou a de países como a Turquia e a relacionou diretamente aos escândalos de corrupção que assolam o Congresso Nacional, referência ao chamado mensalão.
Questionado se apóia uma eventual tentativa de reeleição de Lula, o governador foi evasivo. ''Essa é uma questão para o ano que vem. Acho que o Brasil está um caos, mas temos que verificar sempre o que está por trás disso: ninguém compra um parlamentar à toa. Eles foram comprados para votar a favor da política econômica que não interessa ao Brasil'', afirmou, para arriscar, em seguida, até a origem do dinheiro supostamente usado para pagar parlamentares da base aliada do presidente. ''Esses recursos devem ter sido de multinacionais, de bancos. Temos hoje 20 mil rentistas (pessoas que ganham dinheiro no mercado financeiro) ganhando em cima dos juros mais altos do mundo'', declarou, completando que ''mesmo os juros da Turquia (segunda maior taxa mundial) são apenas um terço dos brasileiros''.
O peemedebista evitou citar o nome de Lula como o responsável pela política criticada por ele. Da mesma forma, desconversou quanto a eventuais participação ou conhecimento do presidente em esquemas de irregularidades no PT. ''Não estou acompanhando isso, que é questão para a Justiça e para a Polícia.'' Sobre um recado ao colega, entretanto, foi taxativo: ''Todos que eu tinha que dar, os dei pessoalmente. E não adiantou nada'', sustentou. Isso compromete um pacto nas eleições de 2006? ''Hoje o PMDB trabalha com a confecção de um plano altenativo de governo, o que, a meu ver, é muito mais importante que um nome (da sigla)'', defendeu.
Requião voltou a condenar o pedido de intervenção no Porto de Paranaguá que aguarda votação no Senado. Informou que o governo do Estado tem R$ 200 milhões em caixa para a ampliação do cais e que, por culpa da União, a obra está impedida. ''O impedimento de investimentos no Porto de Paranaguá é muito mais sério do que o mensalão; é uma vergonha.''
As visitas à região com secretários começaram com mais de uma hora de atraso em Arapongas, onde foi inaugurada uma estação do projeto Povo, no conjunto Flamingos, com um automóvel e duas motos. Em Cambé, também admininistrada pelo PMDB, foi entregue uma ambulância do Siate. Em Londrina, os veículos recebidos foram para a renovação de frota e ampliação do atendimento nesses dois serviços. A solenidade aconteceu no Calçadão da Avenida Paraná, no final da tarde.
No total, Londrina agora conta com mais três automóveis e seis motocicletas no Povo, implantado em 2004 com a meta inicial de atender 52 mil habitantes. Com a ampliação, a expectativa é que mais 31 mil pessoas sejam atendidas no Centro, 21 mil no Parque das Indústrias (Zona Leste), e 39,3 mil na região dos Cinco Conjuntos (Zona Norte).

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