Curitiba - O jogo de pressão em torno da reforma tributária dominou o dia ontem na Câmara Federal. Com o objetivo de garantir mais recursos para o Paraná, o governador Roberto Requião (PMDB) teve uma série de conversas com a bancada paranaense em Brasília. Requião fez críticas ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e defendeu mudanças em pontos do relatório do deputado Virgílio Guimarães (PT-MG), gerando um mal-estar entre a bancada federal, que está apoiando as propostas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A pressão em cima do governo federal vem de todos os lados: oposição, lideranças partidárias e governadores, estes últimos bastante preocupados com perdas.
Requião não quer que os estados paguem Pasep, o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público. Isso significaria aproximadamente R$ 100 milhões por ano no caixa do Paraná. O governador quer aumentar também o fundo de compensação das exportações em R$ 2 bilhões ao ano, de R$ 6 bilhões para R$ 8,5 bilhões. No total, o Paraná poderia receber por ano, com as alterações, cerca de R$ 250 milhões a mais. Esse montante é praticamente equivalente a um mês de folha de pagamento dos servidores.
De acordo com o deputado Gustavo Fruet (PMDB) que participou das reuniões com o governador , o ministro da Fazenda teria sinalizado concordar com esses dois pontos, abrindo brecha para alterações que beneficiam o Paraná.
Fruet disse que Requião foi incisivo ao defender esses pontos, pedindo à bancada (de 30 deputados) que, se não fossem aceitas as mudanças que beneficiam o Estado, não votassem o texto elaborado pelo Planalto.
Os deputados ficaram em uma situação delicada. O petista Paulo Bernardo disse à Folha que continuaria seguindo as orientações do seu partido e do governo Lula, porque considera a reforma importante para o Brasil. O relatório do deputado Virgílio Guimarães começaria a ser votado o plenário à noite, em primeiro turno. Até o fechamento desta edição, a votação não havia começado.

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