Requião critica MP por ação antinepotismo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) criticou ontem a decisão do Ministério Público (MP) do Paraná que entrou com uma ação civil pública visando demitir todos os parentes que ele, o vice e secretários de Estado empregam na administração pública.
''Isso é uma coisa absolutamente ridícula'', disse, defendendo o trabalho realizado pelos parentes. O MP - que é o órgão competente para processar governadores - não comentou a postura de Requião. O governador afirmou ainda que o MP deveria cuidar de coisas ''mais sérias''.
A ação foi encaminhada na semana passada à 1 Vara da Fazenda Pública em Curitiba, onde tramitam outras duas ações contra o nepotismo.
No pedido de liminar o MP requer a demissão dos parentes, que ocupam cargos comissionados - aqueles de confiança, que são preenchidos por critérios políticos e não através de concurso público.
Requião empregou a mulher, Maristela, responsável pelo Museu Oscar Niemeyer; os irmãos Maurício (secretário da Educação) e Eduardo Requião (superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina), além dos sobrinhos João Arruda (cargo na Cohapar) e Paikan de Mello e Silva, na TV Educativa.
O vice-governador Orlando Pessuti (PMDB) tem na lista de parentes que o MP pede para exonerar o irmão Nelson, integrante do Conselho Fiscal da Copel, e a mulher Regina, que é assessora na vice-governadoria.
De acordo com o Ministério Público, os secretários Airton Pisseti (Comunicação Social) e Cláudio Xavier, da Saúde, também têm parentes empregados no governo.
Airton Pisseti tem uma parente em segundo grau lotada na pasta da Comunicação. Cláudio Xavier mantém uma parente em terceiro grau, assessora na Secretaria da Saúde.
O prazo dado pelo MP para que o governo do Estado exonerasse os familiares empregados terminou na metade do mês passado, mas ninguém foi demitido. O MP entrou, então, com a ação para tentar garantir as demissões na Justiça.
O presidente estadual do PPS, Rubens Bueno, ficou chocado com as declarações do governador e defendeu o papel do MP na defesa da democracia. O PPS é autor de várias ações contra o nepotismo.


