Requião critica membro da CPI do Porto
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segunda-feira, 17 de maio de 2004
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Após uma viagem de dez dias ao Canadá, o governador Roberto Requião (PMDB) reassumiu ontem o governo do Estado e uma das primeiras providências foi criticar a CPI do Porto. Instalada há cerca de duas semanas na Assembléia Legislativa, a comissão investiga a gestão de seu irmão Eduardo Requião, superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa).
Requião classificou a CPI de ''ridícula'' e, sem citar nomes, disse que a empresa que fazia a limpeza do porto era ''de propriedade de um deputado estadual que pediu uma CPI para analisar a manutenção do controle de zoonoses da limpeza no porto''. A CPI foi instalada por proposição do deputado estadual Valdir Leite (PPS), ex-aliado do governo.
Na semana passada, os deputados da CPI desceram a Paranaguá e reclamaram da sujeira no porto, onde foi detectada a presença de ratos. Os deputados encontraram ainda pombos mortos, misturados a fezes, no silo público, o chamado silão. Os deputados disseram que ficaram ''estarrecidos'' com a quantidade de sujeira encontrada.
''Como se o correto fosse rato estar vivo. Morto tem que estar, porque o porto bota veneno por todo o lado para estabelecer o controle dessa zoonose. E de repente a gente descobre que a empresa que fazia a limpeza e eu mandei demitir, sem saber de quem era porque eu cheguei lá e não gostei de alguns aspectos da limpeza do porto, era empresa de propriedade de um deputado estadual que pediu uma CPI para analisar a manutenção do controle da zoonose da limpeza no porto'', declarou Requião ontem, durante evento no Palácio Iguaçu.
''Ou seja, botei os incompetentes na rua, mas eles tinham um deputado na Assembléia Legislativa. E daí sai uma CPI ridícula que tenta inviabilizar a propriedade pública'', emendou o governador.
Até o final de 2003, era a empresa Waleservice Limpeza e Conservação a responsável pela limpeza no porto, incluindo desratização, limpeza dos silos, corredor de exportação e pátio de triagem. A Appa alegou que o serviço não estava a contento e rescindiu o contrato sem processo administrativo, conforme relatório da Comissão de Fiscalização da Assembléia. Em regime emergencial, foi contratada em dezembro do ano passado a empresa Máxima para fazer o serviço. A contratação da Máxima, ainda segundo a Comissão de Fiscalização, não teria seguido as regras legais. A Folha não conseguiu contato com a Máxima nem com a Waleservice.
Os deputados da CPI começaram a ouvir no início da noite de ontem o depoimento de Maria Manuela de Oliveira, diretora técnica do porto, na Sala das Comissões da Assembléia. Ela disse que conhece o porto há 17 anos, e fez uma apresentação sobre o porto. Até o fechamento desta matéria, o depoimento não havia terminado. O presidente da CPI do Porto, Valdir Rossoni (PSDB), vai encaminhar um ofício à superintendência do porto para saber quem é o responsável pela limpeza, para então convocá-lo. Na próxima semana, serão ouvidos o delegado da Receita Federal, Marco Antônio Franco, o ex-diretor técnico Ogarito Linhares e o ex-procurador do porto Alaor Reis.


