Requião critica empréstimo de R$ 152 mi
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terça-feira, 01 de julho de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
O senador Roberto Requião (PMDB) disse ontem que a mensagem do governo solicitando um financiamento de US$ 152,9 milhões - aprovada em primeira discussão pela Assembléia Legislativa antes do recesso e que servirá para liquidar parcelas atrasadas de empréstimos obtidos no exterior - é uma prova de que o governador Jaime Lerner quebrou as finanças do Paraná. O Estado compromete 96% da receita líquida com a folha de pessoal, não tem condições de bancar a contrapartida dos empréstimos e agora joga-se numa aventura irresponsável de pedir dinheiro emprestado, para garantir o saque dos financiamentos já contratados, critica.
Requião atira ainda contra as garantias dadas pelo governo para assegurar o financiamento, dentre as quais transferências constitucionais como o Fundo de Participação do Estado. Com isso o Paraná entrega a sua soberania financeira para dar dinheiro de presente a montadoras de automóveis, reforça. E quando vender a Copel, de onde o governador vai tirar dinheiro para pagar o funcionalismo? Voltará a pedir dinheiro emprestado dando o Palácio Iguaçu como garantia?, ironiza o senador.
O líder do governo na Assembléia Legislativa, Valdir Rossoni (PDT), o articulador da aprovação em primeira discussão, rebateu as críticas do senador ontem. Disse que Requião está equivocado e que a mensagem do governo não passa de um pedido de rolagem da dívida, deixada pelo próprio senador quando era governador. Rossoni explica também que o pedido manifestado pelo governo foi uma exigência do Banco do Brasil, que quer ter a matéria regularizada por lei específica. Esse Requião é um debilóide, resumiu.
A troca de farpas entre o governador Jaime Lerner e o senador Osmar Dias, por conta da paralisação dos pedidos de empréstimos externos feitos pelo Paraná, no Senado, está longe de um desfecho. Lerner encaminhou na última segunda-feira um ofício para o gabinete do senador em Brasília, acusando-o de cometer uma traição inaceitável ao Estado por colaborar com o bloqueio. A carta oficial veio com cinco dias de atraso e é uma resposta aos questionamentos feitos por Osmar Dias sobre o não envio de documentos ao Banco Central, necessários para a reanálise dos pareceres já oferecidos à matéria.
Maldosamente, e contra o Estado que Vossa Excelência diz representar, foram criados sucessivos entraves absolutamente incompatíveis com a posição das finanças públicas do Paraná, que é das mais equilibradas do País, afirma Lerner. O governador diz ainda no ofício que o senador sabia que o projeto Paraná 12 Meses - um dos bloqueados - estava em condições de receber a licença do Senado, um ano atrás.
O governador promete ao senador o encaminhamento dos documentos exigidos pelo BC para a reanálise dos pedidos.
O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, garantiu ontem à Folha que o governo já reuniu todos os documentos requeridos pelo BC.


