Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) criticou duramente, ontem, durante a Escola de Governo, os deputados estaduais por causa da demora na tramitação da mensagem do governo do Estado que institui o salário mínimo regional no valor R$ 437. Requião enviou a mensagem à Assembléia Legislativa em meados de fevereiro. O governador acusou os parlamentares de estarem praticando ''nepotismo institucional'' e de não estarem justificando o salário que recebem.
Requião reclamou que quando um projeto beneficia empresários, ''passa que nem foguete'' nas votações. ''Tem 490 mil trabalhadores esperando pela posição da Assembléia. Aos poderosos tudo, aos trabalhadores nada'', argumentou o governador. Requião cobrou uma posição mais firme da bancada do PMDB e do PT. Segundo ele a bancada aliada ''está dormindo'' em cima da mensagem.
Os deputados petistas e peemedebistas se defenderam afirmando que só cabe ao presidente da Assembléia, deputado Hermas Brandão (PSDB), colocar o projeto na pauta. ''Se o presidente colocar hoje na pauta em regime de urgência aprovamos'', garantiu o deputado Ângelo Vanhoni (PT). Segundo o deputado do PT há pressão dos setores industriais em cima de parlamentares do PSDB e do PFL para que a mensagem não seja aprovada.
O deputado Nereu Moura (PMDB) afirmou que concorda com a crítica de Requião. ''Afinal o salário mínimo nacional entrou em vigor no dia 1º (no valor de R$ 350)'', argumentou. Moura garantiu que a bancada do PMDB vai fechar questão em cima do assunto.
''Quem faz a pauta sou eu mesmo. E eu já estabeleci um calendário que vai ser cumprido'', rebateu Brandão. Segundo o presidente da Assembléia, depois da Páscoa serão chamadas, uma de cada vez, todas as entidades que têm interesse no assunto para exporem seus argumentos sobre o salário mínimo regional. A intenção, segundo ele, é fazer uma discussão ampla do impacto do aumento.

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