Curitiba - O governador Roberto Requião criticou ontem, durante a abertura da Chamada Geral pela Integração Latino-Americana, realizada em Curitiba, os recentes acordos firmados pelo governo federal com os Estados Unidos para a produção de biocombustíveis. Segundo Requião, as grandes potências querem transformar a América Latina em ''imensos canaviais'', transformando isso ''em um novo instrumento de submissão do continente''.
A Chamada Geral é um evento preparatório para o Fórum Social do Mercosul, que deve acontecer também em Curitiba, em janeiro. Durante o discurso que abriu o encontro, Requião fez duras críticas à política do governo de produção em massa de álcool para exportação. ''Agora mesmo, quando a insanidade consumista dos países ditos desenvolvidos começa a esgotar as fontes não renováveis de energia, querem nos transformar em imensos canaviais para fornecer o combustível necessário a movimentar um sistema irracional, pantagruélico, insaciável'', disse.
O governador afirmou ser favorável à produção de biocombustíveis, mas sem que isso se torne um instrumento de dominação por parte de grandes potências. ''O biocombustível, a produção de uma energia limpa e renovável, é desejável. Contudo, isso, que tanto pode beneficiar a América Latina, não pode ser transformado em um novo instrumento de submissão do continente'', declarou.
Durante a Chamada Geral, que acontece até amanhã no Centro de Convenções de Curitiba, parlamentares, intelectuais e representantes de movimentos sociais brasileiros e de outros países latino-americanos vão discutir propostas para a criação de um projeto de políticas sociais que ajudem na integração do continente. ''Não somos contra a globalização, mas queremos uma globalização solidária'', resumiu Raquel Billardi, representante da União de Mulheres do Uruguai, que participa do evento.
Para o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, que também discursou na abertura da Chamada Geral, a América Latina e o Mercosul precisam de projetos integrados que mexam na estrutura social dos países-membros. ''O Mercosul para intercambiar mercadorias não interessa aos povos. O que interessa são projetos concretos e é isso que precisamos discutir em fóruns como este'', afirmou.

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