Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) confirmou ontem o
bloqueio de novos recursos para investimentos na capital paranaense. Segundo o governador, a medida é preventiva. O Estado teria feito investimentos a fundo perdido em Curitiba de forma ''temerária'' já que a Prefeitura da Capital estaria inadimplente e não teria pago dívidas que somariam mais de R$ 300 milhões. ''Curitiba não pagou o Contorno Norte, nem os R$ 300 milhões que deve da criação da Cidade Industrial de Curitiba (CIC). Ela está inadimplente com o tesouro estadual. Mesmo assim, coloquei dinheiro indevidamente. De forma até temerária. Agora, não sei por que a Prefeitura está reclamando. Na campanha eleitoral, o prefeito Beto Richa (PSDB) disse que eu não fazia nada pela Capital'', ironizou Requião, em entrevista exclusiva à FOLHA.
A denúncia de que o governo do Estado havia cortado recursos para investimentos em Curitiba foi feita por Beto, em entrevista à imprensa na quarta-feira. Beto e Requião estão em rota de conflito desde as eleições do ano passado, quando o prefeito resolveu apoiar Osmar Dias (PDT) ao governo do Estado. Requião nega que tenha feito denúncias de desvio de dinheiro do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) para a campanha de Beto na última terça-feira por conta das divergências políticas entre os dois. Ele lembrou que a mesma denúncia tinha sido feita publicamente no dia 12 de abril de 2004. ''Engraçado que na época não foi feito tanto barulho quando eu denunciei. Agora estão reclamando. Na verdade, o Beto não foi leal comigo na campanha eleitoral. Ele foi desonesto. Disse que eu não tinha feito nada por Curitiba. Que o preço da passagem tinha caído por causa do Osmar. Vamos ver isso agora'', desafiou.
Requião disse que o Paraná está investindo cerca de R$ 37,5 milhões na capital paranaense. Deste valor, R$ 25 milhões são a fundo perdido. ''São dez unidades de saúde, um laboratório municipal de análises clínicas, além do Hospital do Idoso'', enumerou. Outros R$ 685 milhões em obras e equipamentos teriam sido aplicados desde 2003. ''Fiz tudo o que podia por Curitiba. Agora tenho que brecar os recursos por uma exigência da Lei de Responsabilidade Fiscal ou poderei responder por crime de responsabilidade. Contornei o problema da inadimplência até onde podia. Quem não está fazendo nada por Curitiba é o prefeito'', disparou o governador. Ele negou que esteja antecipando a disputa pela prefeitura no ano que vem. Ele não quis responder as denúncias feitas por Beto de superfaturamento na compra de televisores e de projetos de saneamento no Litoral. ''O Beto tem que cuidar de Curitiba. Do Estado, cuido eu. Aliás, ele cuida mal de Curitiba'', alfinetou.
Em nota divulgada por sua assessoria de imprensa, a Prefeitura de Curitiba negou que esteja inadimplente. Segundo a nota, o município está com suas contas absolutamente em dia, possui todas as certidões negativas necessárias e tem autorização para operações de crédito junto à agência de fomento do Paraná emitidas pela Secretaria do Tesouro Nacional, órgão ligado ao Ministério da Fazenda. Em relação às obras do Contorno Norte, a prefeitura afirma que um convênio firmado em 1998 estabelecia que o município deveria construir uma trincheira como contrapartida aos investimentos estaduais. A obra, de acordo com a assessoria, foi concluída ainda na gestão anterior à de Beto Richa. (Colaborou Rodrigo Lopes)

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