Requião completa 100 dias de governo em meio a polêmicas
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sábado, 14 de abril de 2007
Rodrigo Lopes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Na última semana, o governador Roberto Requião (PMDB) completou os primeiros cem dias de seu terceiro mandato no comando do Palácio Iguaçu. Reeleito no ano passado por uma diferença de 10 mil votos, Requião marcou os início de mais quatro anos no governo com muitas polêmicas, brigas políticas e poucas alterações administrativas.
Logo em seu discurso de posse, no primeiro dia do ano, na Assembléia Legislativa, Requião marcou o tom em que levaria sua nova gestão. Ressaltou o que, segundo ele, considerava avanços de seu mandato anterior e garantiu que iria radicalizar a opção pelos menos favorecidos. Disse comandar um governo de ''esquerda'' e atacou veementemente o grupo que apoiou seu principal adversário na eleição, o senador Osmar Dias (PDT). Grupo do qual fazia parte o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB).
O discurso parecia ser um sinal claro da postura que seria adotada por Requião em relação a seus adversários. No mês seguinte, Richa se viu envolvido na polêmica que mais chamou a atenção da opinião pública nos primeiros cem dias do governo Requião. Em plena Escola Semanal de Governo, transmitida ao vivo pela TV Educativa, o governador trouxe à tona a denúncia do pagamento, supostamente irregular, feito pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) a uma construtora.
A liberação do dinheiro teria contado com a participação do irmão do prefeito, José Richa Filho, à época diretor financeiro do DER, e teria sido usado para bancar despesas da campanha de Beto Richa ao governo do Estado em 2002. O prefeito reagiu aos ataques, o que gerou o rompimento político entre ele e Requião. Em seguida, o governo estadual chegou a interromper os repasses de verbas para obras da prefeitura, o que agravou a crise.
A desavença com Richa pode ser considerada o fato mais marcante do início do governo. Fora isso, Requião promoveu poucas mudanças na estrutura do governo. A maior novidade foi a entrada oficial do PT em seu secretariado, ocupando duas pastas, e em sua base de apoio na Assembléia Legislativa. O governador abriu espaço também para os chamados ''tucanos de bico vermelho'', deputados do PSDB que, mesmo contra a orientação do partido, apoiaram-no na eleição.
O restante do primeiro escalão ficou praticamente inalterado. Fato inesperado ocorreu apenas em março, quando o procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, homem de confiança de Requião, pediu desligamento do cargo, a contragosto do governador. Botto alegava estar encontrando resistência interna para apurar denúncias em órgãos públicos. Denúncias que causaram alguns arranhões na imagem do governo, principalmente a que se referia a suspostas irregularidades em obras da Sanepar no Litoral do Estado.
Apesar dos problemas e desgastes, Requião encontrou tempo para algumas iniciativas importantes. Uma delas, enviada à Assembléia no começo do mês, cria o Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Estadual, que vai fiscalizar as ações do governo. Além disso, o governador conseguiu aprovar o reajuste do salário mínimo regional, que a partir de 1º de maio chegará a R$ 475. Iniciou também os processos de licitação para colocar em prática sua principal promessa de campanha: as Estradas da Liberdade, rodovias que servirão de ''desvios'' às rodovias pedagiadas.


