Requião chama estudantes da UEM de 'cabeças ocas'
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sexta-feira, 08 de agosto de 2003
Vânia Moreira<br>Equipe da Folha 
Umuarama - O governador Roberto Requião criticou duramente um grupo de estudantes da Universidade Estadual de Maringá (UEM) que aproveitou a visita do governador ontem para fazer um protesto contra a falta de estrutura do campus da universidade em Umuarama. Requião classificou a manifestação como ''tola e inconsequente'' e chamou os universitários de ''cabeças ocas''. A reação de Requião deixou os manifestantes perplexos. O protesto, iniciado silenciosamente com faixas improvisadas, quase terminou em bate-boca entre o governador e os estudantes de agronomia e medicina veterinária.
Como uma das faixas fazia referência às condições da estrada de acesso ao campus, Requião disse aos universitários que eles deveriam agradecer por estudar numa universidade gratuita e não fazer protesto ''por falta de asfalto''. ''Se vocês não querem andar em estrada de terra, deveriam estar fazendo jardinagem e não cursos na área agrícola'', disparou. Disse ainda que os estudantes estavam mal informados e mal orientados porque a responsabilidade pela conservação da estrada é da prefeitura e não do Estado. Por fim, sugeriu ao vice-reitor que convocasse os manifestantes para ajudar a assentar pedras irregulares na estrada nos finais-de-semana. Os estudantes vaiaram o governador e viraram de costas para o palco.
A estudante do segundo ano de veterinária, Hanna Sakumoto, disse que o protesto era contra a falta de estrutura geral do campus e não apenas a estrada de 5 quilômetros que fica intransitável quando chove. ''Temos apenas professores e carteiras. Faltam livros, laboratórios, equipamentos, mais horários de ônibus para a cidade, orelhão, refeitório, reconhecimento do campus e dos cursos pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura). Falta quase tudo'', resumiu Hanna. A UEM depende da liberação de verbas do governo para equipar o campus, instalado ano passado nos prédios do Sesi (na área urbana) e da antiga escola agrícola federal.
O prefeito Fernando Escanavaca (PPB) disse ter sido ''pego de surpresa''. Momentos antes, ele havia solicitado a Requião uma parceria para asfaltar o acesso ao campus da UEM. Segundo Scanavaca, os trechos mais críticos foram cascalhados, mas quando chove muito o tráfego fica comprometido.


