A home page do candidato das oposições ao governo, senador Roberto Requião (PMDB), na rede mundial de computadores Internet está recheada de denúncias contra a administração do governador Jaime Lerner (PFL). Vinte inserções - com documentos, dossiês e análises do senador - já foram reunidas até agora e estão à diposição dos usuários que têm acesso ao site do Senado da República.
A primeira crítica virtual à administração Lerner diz respeito à Banestado Leasing. Requião alega que a direção do banco cedeu empréstimo de R$ 3,5 milhões a um empresário sergipano, mediante a apresentação de um patrimônio de apenas R$ 50 mil como garantia. O empresário teria fortes ligações com a Rápido Laser, que foi alvo de investigações na CPI dos Precatórios, e com o ex-governador de Alagoas João Alves (PFL).
A home page tem a íntegra do contrato firmado pelo governo com a montadora francesa Renault, e os protocolos assinados com a Chrysler e Detroit Diesel Motores. ‘‘Leitura obrigatória para todas as pessoas e empresas que pagam impostos no Paraná. Para o conhecimento de todo brasileiro que ainda duvida do verdadeiro procedimento do governo Jaime Lerner’’ é a chamada usada para atrair os ‘navegantes’.
A última alfinetada dada pelo senador via Internet foi em maio. Requião aproveitou a crise vivida pela Segurança Pública para acusar Lerner de mentir ‘‘sistematicamente’’ ao anunciar que a vinda das três montadoras promoverá a criação de 480 mil novos empregos. ‘‘A propaganda falsa incha Curitiba, enquanto o governo não governa’’, diz um trecho do artigo ‘‘Não há comando no Paraná. Curitiba ou Serra Pelada’’.
Atenta ao conteúdo da home page do senador - que em ano eleitoral pode se transformar numa ‘caixa preta’ contra a reeleição - a equipe de advogados da campanha de Lerner pretende na semana que vem ingressar em juízo contra Requião. O argumento que será utilizado é de que o site aonde fica a página de Requião é mantido com recursos públicos pelo Senado. A filha do governador, Ilana Lerner, já começou a fazer um rastreamento nos artigos e documentação.
O advogado Marcus Vinícius Costa disse que aguarda esta análise e que somente depois de concluída é que a representação será ajuizada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná. Os ‘lerneristas’ não vêem dificuldades em enquadrar o senador. O entendimento é de que as atas das reuniões da diretoria do Banestado, colocadas na Internet, por exemplo, são flagrante caso de quebra de sigilo bancário, porque evidenciam operações financeiras realizadas entre banco e cliente.
Para os ‘requianistas’, os argumentos dos governistas não têm cabimento, já que o senador tem liberdade para expressar suas opiniões, que conforme as datas constantes na home page são anteriores ao período eleitoral. A diretoria de Comunicação do Senado confirmou que a página de Requião é mantida com recursos públicos, como as dos demais senadores, e que em circusntância alguma existe censura-prévia dos documentos e artigos que são levados pelos senadores à Internet.

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