Curitiba - O subsídio do governo do Paraná ao transporte público de Curitiba entrou na mira do senador Roberto Requião (PMDB). Desafeto político de Beto Richa (PSDB), ele acusa o tucano de levar vantagem eleitoral com a medida, em detrimento dos demais municípios do Estado, que ficaram sem incentivos ao transporte urbano de passageiros. Pela internet, ele avisou que pedirá a intervenção do Ministério Público (MP) no caso, pois a situação poderia ser enquadrada como improbidade administrativa.
''A concessão de subsídio estadual a um único município se mostra, em uma primeira análise, algo estranho ao atendimento do interesse público, uma vez que preteriu todos os demais. Somado a isto, o fato de sua concessão ter se dado durante o ano eleitoral de 2012 e o apoio expresso e incondicional do governador do Estado ao candidato à reeleição à Prefeitura de Curitiba, faz com que se vislumbre a possibilidade de créditos políticos a ambos administradores públicos'', insinua Requião.
No ano passado, Luciano Ducci (PSB) tentou a reeleição com o apoio do PSDB, após ter sido vice de Beto na Prefeitura de Curitiba por seis anos. Ele perdeu a eleição para Gustavo Fruet (PDT), que tinha apoio do PT e do PV. Parte do debate entre os dois durante a eleição foi sobre a qualidade do transporte público em Curitiba, cuja tarifa é mantida em R$ 2,60 com aportes sucessivos de dinheiro público desde março de 2012.
Outra acusação de Requião é que a concessão de aproximadamente R$ 60 milhões para pagar o transporte coletivo da capital não condiz com a ''postura política financeira adotada pelo atual governo estadual, que vem realizando grandes pedidos de empréstimos, inclusive, internacionais'', nas palavras do senador.

Empréstimo
Além do comunicado ao Ministério Público, o senador enviou um extenso pedido de informações para Beto Richa, recebido pela Casa Civil, solicitando dados sobre a situação financeira do Estado. A manobra retoma a última discussão entre Requião e Beto, em dezembro, quando o senador atrapalhou a liberação de um empréstimo de 350 milhões de dólares que o governo do Paraná tomaria do Banco Mundial (Bird). A medida atrasou ações planejadas pelo governador do Paraná, que respondeu duramente ao senador. ''O presente de Natal dele (Requião) para os paranaenses é nos tirar R$ 730 milhões que seriam investidos em saúde e educação. Uma traição ao Paraná. Uma atitude nefasta de uma pessoa atormentada'', disse Beto, à época do fato.
Desta vez o Palácio Iguaçu optou por não responder às provocações de Requião, repetindo que o subsídio dado em anos anteriores a Curitiba e os R$ 23,8 milhões disponibilizados até maio de 2013 estão dentro da lei. ''Há indícios de que possa ter ocorrido malversação do dinheiro público, abuso do poder econômico, beneficiamento eleitoral, quebra do princípio da isonomia, lesão ao princípio da moralidade, violação ao princípio da transparência'', enumera Requião, ainda no ataque. Beto diz que outras cidades poderão receber subsídios ao transporte coletivo, mas que isso depende de estudo de viabilidade previsto para ficar pronto no meio do ano.

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