Requião ataca Alvaro em debate na UEL
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quarta-feira, 04 de setembro de 2002
Marcos Espíndola<BR>Reportagem Local 
Primeiro candidato ao governo a ser sabatinado na série de debates promovida pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), o senador Roberto Requião (PMDB) não poupou críticas e provocações ao governo do Estado, à direção da Copel e ao adversário direto na disputa pelo Palácio Iguaçu, o senador Alvaro Dias (PDT). O debate ocorreu na manhã de ontem, no anfiteatro do Centro de Ciências Biológicas (CCB). Durante duas horas o candidato falou e respondeu aos questionamentos da platéia formada por professores e acadêmicos da UEL.
No seu melhor estilo (ele próprio confessa ser avesso ao respeito de regras), Requião ultrapassou os 40 minutos estipulados pela organização do debate para que fizesse uma explanação e falou por uma hora. O candidato criticou o governo pela a extensão da insenção do ICMS dada as montadoras por mais 14 anos. Caso eleito, prometeu investigar os contratos, bem como forçar a queda no preço dos pedágios e impedir a venda pela Copel de 366 megawatts de energia em seis anos. Conforme Requião, o excedente de energia produzido no Paraná tem que ser direcionado como incentivo para a vinda de indústrias, ao contrário da concessão de isenções fiscais.
Requião também defendeu a sua proposta de distribuir leite pasteurizado diariamente a todas as crianças até ingressarem na escola. Segundo ele a proposta é possível bastando apenas racionalizar as finanças da Copel e Sanepar. ''Seriam R$ 30 milhões por ano, menos de um terço do que o atual governo gasta com publicidade'', disse o senador. Quanto à proposta similar do seu adversário, Alvaro Dias, Requião a classificou de ''desavergonhada''.
Alvaro foi um dos alvos preferidos da artilharia do peemedebista. ''Não acredito que o diálogo (com professores) se faça com cavalos e bombas'', numa alusão ao episódio do confronto entre professores e a Polícia Militar durante um protesto na época do então governador Alvaro. Ele também criticou a proposta para a área de segurança do pedetista que, segundo Requião, está se relacionando com a chamada banda podre da polícia. ''O Alvaro tem apoio dessa gente. Se pegar o pessoal que o apóia, com certeza teremos a lista completa para limpar as polícias'', disparou Requião.
A assessoria do candidato Alvaro Dias diz que as declarações de Requião são pelo fato do peemedebista estar desesperado. ''O programa de segurança de Alvaro Dias foi elaborado com base científica. Tolerância zero não é mero discurso. Alvaro esteve em Nova Iorque para conhecer os métodos estabelecidos lá. O objetivo é combater com rigor desde os pequenos até os mais graves delitos criando um ambiente que demonstre a presença do Estado. Aliado a isso teremos mais recursos para a segurança, planos de cargos e salários para as polícias'', esclareceu a assessoria do candidato.
Entre ele e o hoje adversário Alvaro, Requião foi irônico: ''É a opção entre o Quatrilho (a quem classifica Alvaro e as liderenças que o apóiam) e o 15 (seu número)''.
Ao responder os questionamentos por escrito, Requião mostrou-se em alguns momentos irritado com as perguntas repetitivas e irônico com aquelas fora do contexto, o que arrancou risos da platéia. Uma delas questionava se o candidato não achava a discriminalização da maconha uma medida legal. Prontamente, Requião respondeu: ''Pô bicho, não acho legal não''.
Na sexta-feira o candidato ao governo pelo PT, Padre Roque Zimmermann, será sabatinado na UEL. Será às 10 horas, no mesmo local. No dia 17 de setembro será a vez do tucano Beto Richa e no dia 19, o candidato do PPS, Rubens Bueno. Alvaro seria sabatido no dia 29, mas cancelou na última hora e não foi marcada nova data.


