Joaquim Távora - A presença do governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), no mesmo palanque do candidato tucano à presidência da República, Geraldo Alckmin - caso confirmada a coligação PMDB-PSDB no Estado - vai depender do programa de governo do ex-governador de São Paulo. O governador comentou ontem sobre as eleições de outubro em uma visita ao empresário José Eduardo Andrade Vieira na Fazenda da Capela, município de Joaquim Távora.
''Estamos fazendo uma coligação estadual. Agora, seguramente não vou fazer uma campanha contra o Alckmin, afinal tem que ter um pouco de ética nisso. A minha preocupação na questão presidencial são as propostas de governo. O que vão propor? A continuidade do neoliberalismo? O Banco Central independente outra vez?'', questionou Requião. No segundo turno de 2002, o governador teve o apoio do PT do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
O governador demonstrou estar confiante na coligação com o PSDB. A aliança, defendida por um grupo liderado pelo deputado Hermas Brandão, possível vice de Requião, será decidida na convenção do PSDB amanhã. ''O Hermas é um provável vice e estamos brigando para isso porque foi o grupo que deu sustentação ao nosso governo. PSDB e PMDB e alguns companheiros do PT, que tem candidato próprio'', justificou. ''Acho que o grupo do Hermas ganha a convenção. Agora se o grupo do Hermas não ganhar, ele será candidato ao Senado.''
O deputado, que acompanhou Requião na visita ao empresário, não quis dar palpite sobre o resultado da convenção. ''Já falamos com diversos convencionais, quase 600, vai ser uma convenção democrática e a decisão que será tomada será a vontade da maioria. Tenho certeza que o partido sairá unido. Tem algumas divisões agora, mas só até a convenção.''
Caso a coligação não se confirme, Requião acredita ser viável uma chapa pura do PMDB. ''Já foi (viável) da outra vez e não tínhamos todo esse conjunto de obras para mostrar'', afirmou, deixando claro que o mote da campanha à reeleição serão as obras executadas durante os três anos e meio de governo. ''Estou orgulhoso do governo. O governo inteiro avançou. Eu diria que não resolvi tudo. Não resolvi a educação, mas ela está muito melhor do que era. Não resolvi o problema da segurança, mas está muito melhor do que era. Temos 12 presídios em construção e 73 novas escolas'', relatou.
Outro ponto bastante debatido nas eleições de 2002, o pedágio, deverá voltar a ser tema na campanha de outubro. ''A posição é uma luta contra o pedágio, já demonstramos que não é necessário. Não colocamos um metro de estrada pedagiada e mostramos que o Estado não precisa de pedágio para ter boas estradas.''

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