Requião apela por aprovação do mínimo regional
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sexta-feira, 07 de abril de 2006
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), fez um apelo ontem, durante a abertura da 46 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, para que a Assembléia Legislativa aprove o projeto de autoria do Executivo enviado no início de fevereiro, que cria um salário mínimo regional de R$ 427 a R$ 437, dependendo da categoria. O mínimo federal, em vigor desde o dia primeiro, é de R$ 350.
Requião defendeu que o mínimo maior complementa incentivos concedidos a empresários, como a redução do ICMS, e fará com que a economia do Estado cresça diante dos embargos à exportação de carnes bovina e de frango. ''Estamos com problema para a exportação de aves e somos um grande produtor nacional e com problemas na exportação de carne. A carne em função dessa tapeação do Ministério da Agricultura, que inventou a aftosa no Paraná, e aves porque a gripe asiática já atingiu parte da Europa e eles pararam de comprar frango. Eu proponho então uma medida dupla. Todas as medidas do Estado pegam as duas pontas, a produção e o povo. Eu proponho um salário mínimo entre R$ 427 e R$ 437. Não é grande coisa é pouco mais de R$ 80 acima do salário mínimo do presidente da República'', defendeu.
Para Requião, o Paraná não pode ficar atrelado a problemas financeiros de outros Estados. ''O Lula tem restrições para fixar o salário mínimo. O salário mínimo do governo federal é nacional. Ele tem o problema de Alagoas, do Piauí, que não aguentam pagar um pouco mais porque são muito pobres. Nós podemos pagar. Eu proponho esse aumento do salário mínimo para melhorar o rendimento dos 200 mil trabalhadores e ao mesmo tempo aumentar o consumo de carne, frango e reestabelecer o ciclo virtuoso da economia'', disse. ''Estou fazendo aqui nesta coletiva um apelo para que liguem para a Assembléia Legislativa, para seus deputados e vamos aprovar de uma vez esse salário mínimo porque ele vai jogar a economia do Estado para frente.''
O governador disse que o Paraná recebeu com ''agrado'' o pacote de auxílio ao setor agrícola, anunciado ontem pelo governo federal, mas deixou claro que os R$ 16,6 bilhões que deverão ser liberados, não resolvem o problema. ''Vejo com alegria mas não resolve o problema da agricultura. A agricultura no mundo inteiro é subsidiada pelos governos. A segurança alimentar, a independência da agricultura, a capacidade de produção, a soberania das sementes é considerada questão de segurança nacional em todos os países. Aqui não. Mas as medidas do governo são positivas, poderiam ser melhores, mas a iniciativa é boa e o governo fez aquilo que achava neste momento possível.''
Apesar de faltarem menos de seis meses para a eleição, Requião evita fazer comentários sobre suas intenções políticas e as deliberações do partido. O governador se esquivou quando perguntado sobre a proposta defendida por Michel Temer, de que o PMDB abra mão da candidatura própria à presidência da República para liberar as candidaturas nos Estados, e se é candidato à reeleição. ''Isso é para ser discutido na convenção nacional'', resumiu.


