Requião anuncia interesse em estadualizar a Sercomtel
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terça-feira, 28 de novembro de 2006
Cristiane Oya<br>Reportagem Local 
O futuro da Sercomtel deve ser rediscutido, a partir de janeiro de 2007, quando se inicia o segundo mandato do governador reeleito Roberto Requião (PMDB). Em uma reunião com o prefeito Nedson Micheleti (PT) e sete vereadores, no dia 24, Requião teria falado sobre a intenção de ''estadualizar'' a companhia telefônica londrinense através da Copel, que desde maio de 1998 detém 45% das ações preferenciais da Sercomtel.
''Ele (Requião) disse que uma vez sendo reeleito queria estadualizar a Sercomtel porque hoje a principal parceira da Sercomtel é a Copel, que tem fibra óptica em todo o Estado e que, se tivesse uma companhia de telefonia fixa, poderia atender todo o governo e a população. Eu disse que era favorável a essa questão. A Sercomtel Celular, por exemplo, tem uma competitividade muito grande e temos que estar atentos a essa questão'', relatou o presidente da Câmara de Londrina, Orlando Bonilha (PL). Conforme Bonilha - que fez questão de salientar que o objetivo da reunião era estabelecer um canal de conversação com o governo do Estado - Requião ainda teria adiantado que irá solicitar um estudo técnico sobre a estadualização da Sercomtel.
De acordo com o vereador Tercílio Turini (PPS), Requião teria manifestado o interesse na Sercomtel durante uma reunião com dez vereadores no dia 25 de outubro, a quatro dias do segundo turno das eleições. ''O Requião falou em público, no discurso, que depois das eleições poderia pensar na estadualização da Sercomtel. Acho que a gente tem que discutir isso com a sociedade, já que é um patrimônio público, e também com os próprios funcionários'', advertiu.
Turini, um dos autores do projeto que estabeleceu a obrigatoriedade da realização do plebiscito em caso de venda de ações da telefônica, admitiu que poderá repensar o assunto se a negociação for com uma estatal. ''Ainda não tenho opinião definida, mas muda um pouco em relação a questão de vender para iniciativa privada. Precisaria garantir uma discussão pública, ver as garantias do pessoal da Sercomtel. Vamos dizer que se lá na frente for o melhor caminho, temos que discutir inclusive a utilização dos recursos na cidade. Se passar por uma discussão pública e um entendimento junto ao próprios funcionários, eu poderia mudar a questão da legislação, tirando a obrigatoriedade do plebiscito no caso de uma estatal'', disse. Em agosto de 2001, um plebiscito convocado pelo município vetou a venda das ações da Sercomtel Celular. Participaram da consulta popular pouco mais de 11% dos eleitores londrinenses. Destes, 52% optaram pelo não à venda.
O assunto ainda não está sendo discutido na Copel. Segundo a assessoria de imprensa da companhia energética, ''não há nenhum fato novo ou proposta de incremento da parceria''. O vice-presidente da Sercomtel, Oscar Bordin, que representa a Copel na empresa, disse que não há uma posição oficial do governo do Estado sobre a questão. Já o presidente da telefônica, Gabriel Ribeiro de Campos, afirmou apenas que a iniciativa de venda é do prefeito. O prefeito não atendeu a reportagem.
Hoje, a Sercomtel utiliza a rede de fibra óptica da Copel para transportar as as ligações interurbanas de Apucarana, Curitiba, Ponta Grossa, Maringá, Cornélio Procópio e Cascavel.


