Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) assinou ontem o decreto que anula o aditivo do contrato que prorrogava por mais cinco anos a exclusividade do Banco Itaú sobre as contas-movimento do governo do Paraná. O contrato de exclusividade fazia parte das exigências para a venda do antigo Banco do Estado do Paraná (Banestado) e tinha vigência até o dia 26 de outubro de 2005. Antes do final do governo Jaime Lerner (PSB), o contrato foi prorrogado até outubro de 2010. ''Não entendo a razão para que um governo tome esse tipo de iniciativa no final de uma administração. A prorrogação foi ilegal e imoral. Por esta razão, resolvemos anulá-la'', explicou o procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda.
Botto de Lacerda enfatizou que o aditivo não atendeu ao interesse público. Portanto, deveria ser cancelado. Até o dia 26, os servidores continuarão recebendo pelas contas abertas nas agências do Itaú. Apenas depois desta data é que as contas poderão ser repassadas para outra instituição financeira. O governo do Estado ainda não definiu para qual banco deverá migrar todas as contas públicas do Paraná. ''Estamos ainda em negociação'', ponderou o procurador.
O procurador acenou com a possibilidade de o governo realizar uma licitação para a escolha de um novo banco, que atenda o interesse público. Só a folha de pagamento dos servidores injeta R$ 385 milhões por mês no banco Itaú.
Segundo Botto de Lacerda, o banco Itaú teria pago R$ 80 milhões ao governo anterior, para obter a exclusividade da conta dos servidores do Estado do Paraná. Para o procurador, esse valor é irrelevante se for levado em consideração o recente contrato firmado pelo próprio Itaú com a prefeitura de São Paulo.
O banco Itaú venceu a licitação oferecendo R$ 510 milhões para ter o direito de gerenciar as contas do município paulista por um período de cinco anos. O banco Itaú foi consultado pela Folha, mas não quis se pronunciar. (Colaborou Vânia Casado)

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