Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) ameaçou os deputados estaduais da base aliada que insistirem na aprovação de um índice de reajuste geral aos funcionários públicos maior do que o proposto pelo Executivo. O recado foi dado durante a ''escolinha'' de ontem de manhã: ''(...) o deputado que votar de forma diversa da realidade (...) será definitivamente considerado fora da bancada de apoio. Não me apareçam mais pedindo audiência e pedindo favores especiais para seus municípios, porque estão jogando contra o Paraná (...). Votem a favor da racionalidade e da decência ou não me incomodem mais'', afirmou ele.
A ameaça vai direto para a bancada do PT, que ontem à tarde decidiu não recuar. Só de autoria do bloco petista, foram apresentadas sete emendas ao projeto de lei. A bancada da oposição apresentou outras sete emendas. Já o deputado estadual Mauro Moraes (PMDB) protocolou três emendas, apesar da bancada do PMDB ter fechado questão sobre o assunto, obrigando os peemedebistas a manterem o projeto de lei original. A proposta já foi aprovada em primeiro turno de votação no plenário, mas a segunda etapa só ocorrerá depois da análise das 17 emendas pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. A próxima reunião da CCJ deve ocorrer na terça-feira.
Além de ameaçar a base aliada, Requião sugeriu ainda que pode retirar o projeto de lei, impedindo a aplicação de qualquer aumento salarial. ''Se a liderança da minha bancada me disser que não temos condições de superar o populismo irresponsável, eu retiro a proposta, e não teremos aumento algum este ano, e a responsabilidade cairá sobre os irresponsáveis que pretendem o que não se pode dar'', afirmou ele. Requião alega que não há recursos, e que os aumentos propostos nas emendas ''são rigorosamente impossíveis ao erário''. ''Se a mensagem for modificada numa vírgula que seja, ela será transformada numa proposta inconstitucional, e não haverá aumento algum'', repetiu ele.
A reação dos deputados estaduais às declarações do governador Requião foram imediatas. O líder da oposição, Élio Rusch (DEM), afirma que se ele retirar a proposta será ''uma atitude anti-democrática''. ''O Executivo tem que administrar respeitando o Legislativo. Caso contrário, é ditadura'', afirmou Rusch. Ele defende que ''foi o próprio governador Requião quem criou a situação ao dar 15% de aumento ao salário mínimo regional (válido para a iniciativa privada)''. ''Só espero que os ônibus não influenciem na votação'', ironizou Rusch, em relação aos veículos escolares recentemente distribuídos pelo Estado em municípios que são bases eleitorais de parlamentares.
O deputado estadual Tadeu Veneri (PT) tem opinião semelhante. ''Retirar a matéria daqui é uma prerrogativa dele. Mas apresentar emendas também é prerrogativa nossa, dos parlamentares'', comentou ele. O petista enfatiza ainda que o conteúdo das emendas atende a reivindicações dos próprios servidores públicos. ''As emendas não nasceram dentro do Legislativo.''
Outros parlamentares, contudo, afirmam que as emendas poderiam ser inviáveis aos cofres do Estado. Líder do bloco independente, Reni Pereira (PSB) disse que nos textos das emendas não estão indicadas as fontes de recursos. ''A CCJ pode e deve dar parecer contrário às emendas. A Lei de Responsabilidade Fiscal diz que todo aumento de despesa deve ser acompanhado de impacto financeiro'', disse ele. O presidente da Casa, Nelson Justus (DEM), deu declaração semelhante: ''Não podemos apresentar propostas que não informam de onde vem o dinheiro. O discurso é fácil''.

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