Curitiba O governador Roberto Requião (PMDB) afirmou ontem que pode ir à Justiça para alterar o modo de administração da Sanepar. O objetivo de Requião é diminuir a influência do Consórcio Dominó nas decisões da empresa de água e saneamento paranaense. O consórcio, que tem cerca de um terço das ações da empresa com direito a voto, é formado pelo Banco Opportunity, a Construtora Andrade Gutierrez e a empresa francesa Vivandi.
De acordo com Requião, a intenção é tentar firmar um acordo com o grupo de acionistas antes de tomar outras decisões. ''Não sou contra a participação do capital privado na empresa. O que não podemos permitir é que uma empresa cujo objetivo é atender a população tenha em seu contrato cláusulas que prevejam a maximização dos lucros'', disse.
Segundo o governador, há precedentes jurídicos para a alteração no contrato. ''A Companhia de Energia de Minas Gerais (Cemig) reverteu uma situação semelhante na Justiça. É absurdo que acionistas minoritários tenham um poder de decisão superior ao governo na gestão de uma empresa pública'', afirmou.
Requião criticou também o ex-governador Jaime Lerner (PFL): ''Um dia depois da minha diplomação (17 de dezembro), ele assinou um decreto permitindo que a Sanepar pague uma dívida de R$ 198 milhões apenas em 2011. Esse dinheiro seria utilizado na recompra de ações da empresa. Lerner não avisou a equipe de transição, o que me deixou muito decepcionado'', disse.

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