Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) vai acionar a Tropa de Choque da PM para agir nos postos de pedágio das estradas do Paraná que quiserem implantar o reajuste das tarifas sem amparo judicial. O governador duvida que a liminar pretendida pelas concessionárias para realizar o reajuste de forma unilateral seja concedida. ''Não existe liminar nenhuma e não acredito que o juiz (federal de Paranavaí) vá tomar uma decisão contra o interesse público, uma vez que na auditoria que o DER fez junto às concessionárias foram encontradas irregularidades suficientes para baixar os preços e até intervir nas empresas'', afirmou Requião, ontem de manhã, durante cerimônia de lançamento do programa de inclusão digital nas escolas estaduais.
Na virada de domingo para segunda-feira, o governo enviou 25 homens da Tropa de Choque da PM para a praça de pedágio da Ecovia na BR-277. Após inspecionar as cabines do pedágio e ter garantias de que o aumento não entraria em vigor naquela madrugada, por volta das 2 horas os policiais deixaram o local.
''Eles recuaram da intenção. Eles mandaram um recado chamando para conversar, mas eu disse que não tem conversa, que a PM vai agir de novo, uma vez que o DER não homologou os cálculos apresentados pelas empresas e se elas insistirem em aumentar as tarifas, isso vai caracterizar quebra de contrato'', disse Requião. De acordo com ele, com as ''fraudes e erros contábeis'' constatados pela auditoria o pedágio deveria diminuir e não aumentar.
O procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, reforçou a tese do governo de que não existe liminar autorizando o reajuste para a Ecovia. ''O governo tomou todos os cuidados. Nem o Estado nem o DER foram comunicados de alguma decisão judicial'', disse. O que houve, segundo ele, foi que o juiz federal substituto Paulo Cristóvão de Araújo Silva Filho, da 9 Vara Federal, se declarou incompetente para julgar o pedido de liminar e remeteu o processo para a Justiça Federal de Paranavaí. Ele admitiu, no entanto, que caso a Justiça de Paranavaí acate o pedido e aprove os pedidos de reajuste, a postura do governo deve ser diferente. Ao invés do uso policial, o governo deverá buscar alternativas judiciais para impedir o reajuste.
Segundo o presidente da ABCR, João Chimizazzo Neto, a Ecovia tentará ainda na Justiça de Curitiba buscar uma maneira de aumentar os preços. A empresa entrou com um pedido na 9 Vara Federal, solicitando que o governo seja notificado da decisão do juiz Silva Filho de remeter os autos a Paranavaí. ''Mesmo entendendo não haver dúvida de seus direitos, a Ecovia vai esperar a notificação para realizar o reajuste em virtude da operação policial. É uma preocupação com a segurança dos usuários, que ficaram preocupados e assustados com a presença da Tropa de Choque na praça do pedágio'', explicou Chiminazzo.

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