Curitiba Depois de anular o pacto de acionistas da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), firmado pelo seu antecessor Jaime Lerner (PFL), o governador Roberto Requião (PMDB) passou a concentrar sua artilharia nos contratos entre o Estado e as seis concessionárias de estradas.
Ontem, durante discurso de mais de uma hora e meia na abertura dos trabalhos da Assembléia Legislativa, Requião declarou que o contrato com as concessionárias é ''mais débil e mais inconsistente'' que o acordo com a Sanepar. O governador voltou a prometer o fim do pedágio e arrancou aplausos da platéia, formada basicamente por seus secretários de Estado e pelos 54 deputados, dos quais a maioria é governista.
Da tribuna reservada à oposição, hoje situação, Requião disse que está dando oportunidade às empresas que exploram o pedágio para refletir ou reduzir as tarifas. ''Do contrário, o pedágio vai acabar.'' O governador citou estudo do setor agropecuário, calculando que o custo total com o pedágio no transporte da safra do complexo soja e milho ultrapassará R$ 80 milhões.
De forma geral, o governador fez, durante seu pronunciamento, um apanhado das denúncias já divulgadas sobre a administração de Lerner. ''Oito anos na oposição nos fizeram críticos vigilantes. No entanto, sinto dizê-lo, paranaenses, havia nas gavetas, nos armários e mal disfarçadas sob tapetes, bem mais irregularidades e problemas que fosse lícito imaginar'', declarou.
Requião disse que ''os neoliberais e o governo que me antecedeu alinhava-se com eles fizeram da Lei de Responsabilidade Fiscal a sua bandeira. Conversa fiada para cortar gastos e investimentos sociais e reservar caixa para o pagamento dos juros da dívida''.
Para o governador, é crucial eliminar possíveis irregularidades na área de informática. ''Acredito que os contratos que cancelei neste começo de governo já somem cerca de R$ 100 milhões. Contratos sem licitação, faturados muito além do custo de mercado, sem objetivo claro, alguns claramente feitos para tomar dinheiro do Estado.''
Como exemplos, ele citou o contrato cancelado na semana passada com a Associação Via Digital, no valor de R$ 17,7 milhões, para a área de informática no Museu Oscar Niemeyer (ex-NovoMuseu). Também foi cancelado o acordo com a SofHar, para cadastramento das empresas registradas na Junta Comercial. E o contrato com o Instituto Curitiba de Informática (ICI), para informatizar os departamentos da Polícia Civil.
''Na área de informática, as investigações prosseguem e, desgraçadamente, o montante de dinheiro envolvido pode dobrar o que já cancelamos'', avaliou. O governador disse que vai encaminhar todas as suspeitas de irregularidades, em qualquer área, ao Ministério Público (MP) estadual.

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