Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) prometeu ontem que as tarifas de pedágio não serão reajustadas no dia 1º de dezembro, como prevê o contrato firmado na gestão Jaime Lerner (PFL), entre as concessionárias que exploram as rodovias paranaenses e o governo. A declaração foi dada ontem durante a reunião semanal do secretariado. Ao comentar a possibilidade de reajuste, Requião chegou a afirmar que ''essa quadrilha de concessionários terá o tratamento que merece'', descartando a hipótese de aumento nas tarifas.
As concessionárias, entretanto, pretendem entrar na Justiça se for preciso para garantir o reajuste. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR) no Paraná, João Chiminazzo Neto, o reajuste estaria previsto no contrato. ''A Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulga um índice nacional que orienta os reajustes a partir da segunda quinzena de dezembro. Pelo contrato, esse índice é automaticamente aplicado pelas concessionárias. Cabe ao Departamento de Estradas e Rodagem (DER) órgão vinculado ao governo estadual concordar ou não com o cálculo da FGV, mas o DER não tem a possibilidade de vetar um reajuste caso os cálculos estejam corretos'', afirmou Chiminazzo.
O governo estadual, entretanto, acredita ter uma carta na manga para impedir o reajuste. Uma auditoria realizada nas contas das seis concessionárias que operam no Estado poderia justificar uma negativa do DER em homologar o reajuste. ''Em primeiro lugar, temos que lembrar que o reajuste do ano passado já não foi homologado pelo DER, o que pode caracterizar um desrespeito a cláusulas do contrato. Além disso, caso sejam encontradas irregularidades nas contas das concessionárias, o Estado não poderá conceder o reajuste'', afirmou o assessor jurídico do governo, Pedro Henrique Xavier.
O governo deve divulgar o resultado da auditoria nos próximos dias. Xavier, que coordena a equipe responsável pelas auditorias, não confirma se irregularidades foram encontradas. ''Existem coisas que terão que ser explicadas pelas concessionárias. Se essas informações vierem a contento, não há problema. Mas se não houver explicação, isso poderá forçar o DER a não homologar os reajustes'', salientou.

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