Curitiba - O governador licenciado Roberto Requião (PMDB) falou ontem pela primeira vez desde a divulgação do resultado das urnas na eleição para governador do Estado e endureceu as críticas ao senador Osmar Dias (PDT), com quem vai disputar o segundo turno. Requião promete concentrar suas forças no horário eleitoral gratuito de rádio e de televisão e nos debates que poderão ser promovidos pelas emissoras de TV.
Com estilo agressivo, Requião pretende apontar os erros de Osmar no Senado e os políticos que apóiam a candidatura dele ao governo do Estado. Um dos alvos será o eterno inimigo Jaime Lerner (PSB) - que declarou oficialmente apoio a candidatura de Osmar. ''Agora ele (Osmar) terá muito o que explicar. Tentaram mostrar em mim uma imagem truculenta, truculento é o Osmar. Agora não terão mais biombos para ele (Osmar) se esconder. Ele terá que me enfrentar olho no olho. Se ele fugir, vou buscá-lo onde quer que esteja'', desafiou Requião.
Osmar já foi secretário de Estado da Agricultura do primeiro governo de Requião. Os dois trabalharam juntos no Senado - muitas vezes dificultando a liberação de recursos internacionais para obras do governo Lerner. Recursos que chegaram a atrasar programas como o Paraná 12 Meses (de apoio a agricultura familiar) e o Paraná Urbano (de melhoria da infra-estrutura). Há três anos, Osmar e Requião começaram a trilhar caminhos opostos. Osmar foi o relator da Lei de Biossegurança (que regulamentou a comercialização e a produção de transgênicos no Brasil). Requião é contra qualquer tipo de negociação que envolva comercialização de transgênicos e tem retaliado a possibilidade de exportação de grãos transgênicos pelo Porto de Paranaguá - alegando dificuldade na segregação dos grãos.
Requião lamentou não ter vencido no primeiro turno. Ele culpou Osmar Dias por deslealdade ao transmitir as notícias de que um policial civil lotado na Casa Civil (na Assessoria da Governadoria) era responsável por um esquema de escutas ilegais telefônicas envolvendo políticos e empresários paranaenses e do Mato Grosso. ''Os ataques pessoais sem que eu pudesse responder foram os responsáveis pela tendência de queda mostrada pelas pesquisas e confirmada nas urnas. Agora vou poder reverter isso. Agora será mano a mano.'' O governador licenciado não pretende fazer muitas viagens pelo interior do Paraná. Isto deverá ficar a cargo do vice-governador licenciado e candidato à reeleição, Orlando Pessuti (PMDB).
O PMDB busca agora alianças de todos os lados. Requião disse que conta com apoio do deputado reeleito Nelson Justus (PFL) e de Neivo Beraldin (PDT), que foi derrotado nas urnas. ''Tenho convicção clara e certa da vitória. Não na minha pessoal. Mas pela minha preferência pelos pobres e pelo emprego.'' Requião ainda não definiu qual candidato à Presidência deverá apoiar: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Geraldo Alckmin (PSDB).

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