Requião acusa governo no caso Del Paraná
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segunda-feira, 21 de abril de 1997
Leandro Donatti Sucursal de Curitiba 
O relator da CPI dos Títulos Públicos, senador Roberto Requião (PMDB), acusou ontem o governador Jaime Lerner (PDT) de ter agido mal ao escolher Anísio Resende para a presidência do Banco Del Paraná - o braço do Banestado no Paraguai e classificado pelo senador Romeu Tuma (PFL-SP) como a segunda maior lavanderia de dinheiro no esquema. Segundo Requião, o presidente do Del Paraná foi afastado da gerência de uma agência do Banco do Brasil em Assunção, sob a acusação de ter desviado US$ 300 mil da companhia de água do Paraguai (Corposana) para uma suposta conta particular em Nova York.
É mais um dos absurdos políticos cometidos pelo governo do Paraná, que escolheu este senhor para ser o presidente do Del Paraná, diz Requião, que vai incluir a informação no seu relatório final. A CPI não vai investigar o episódio, mas não posso deixar de mencioná-lo no meu parecer, emenda o senador que passou alguns dias no Paraguai apurando a lavagem do dinheiro movimentado pela máfia dos precatórios.
Segundo o senador, a maior dificuldade tem sido identificar os beneficiários da lavagem. Que houve não temos mais dúvidas, conclui. Requião diz ainda que durante a gestão de Resende foi contabilizado um lucro de cerca de R$ 14 milhões, provenientes, segundo fontes do Banco Central paraguaio, de operações de lavagem de dinheiro. Contudo, o dinheiro teria, de acordo com as investigações da CPI, desaparecido através de contas de laranjas.
Sem pressa Requião evita falar em prazos para divulgar o seu parecer final. Esse não é um jogo que tem início, meio e fim, por isso não estou me impondo datas, explicou o peemedebista, que também deve incluir o Senado Federal e o Banco Central na lista dos responsáveis pelo esquema dos títulos públicos.
A Folha tentou ouvir ontem algum representante do governo sobre as acusações do senador, mas não conseguiu localizar pessoas autorizadas a falar sobre o assunto.


