O relator da CPI dos Títulos Públicos, senador Roberto Requião (PMDB), acusou ontem o governador Jaime Lerner (PDT) de ter agido mal ao escolher Anísio Resende para a presidência do Banco Del Paraná - o braço do Banestado no Paraguai e classificado pelo senador Romeu Tuma (PFL-SP) como a segunda maior ‘‘lavanderia de dinheiro’’ no esquema. Segundo Requião, o presidente do Del Paraná foi afastado da gerência de uma agência do Banco do Brasil em Assunção, sob a acusação de ter desviado US$ 300 mil da companhia de água do Paraguai (Corposana) para uma suposta conta particular em Nova York.
‘‘É mais um dos absurdos políticos cometidos pelo governo do Paraná, que escolheu este senhor para ser o presidente do Del Paranᒒ, diz Requião, que vai incluir a informação no seu relatório final. ‘‘A CPI não vai investigar o episódio, mas não posso deixar de mencioná-lo no meu parecer’’, emenda o senador que passou alguns dias no Paraguai apurando a lavagem do dinheiro movimentado pela máfia dos precatórios.
Segundo o senador, a maior dificuldade tem sido identificar os beneficiários da lavagem. ‘‘Que houve não temos mais dúvidas’’, conclui. Requião diz ainda que durante a gestão de Resende foi contabilizado um ‘‘lucro’’ de cerca de R$ 14 milhões, provenientes, segundo fontes do Banco Central paraguaio, de operações de lavagem de dinheiro. Contudo, o dinheiro teria, de acordo com as investigações da CPI, desaparecido através de contas de ‘laranjas’.
Sem pressa Requião evita falar em prazos para divulgar o seu parecer final. ‘‘Esse não é um jogo que tem início, meio e fim, por isso não estou me impondo datas’’, explicou o peemedebista, que também deve incluir o Senado Federal e o Banco Central na lista dos responsáveis pelo esquema dos títulos públicos.
A Folha tentou ouvir ontem algum representante do governo sobre as acusações do senador, mas não conseguiu localizar pessoas autorizadas a falar sobre o assunto.

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