O senador Roberto Requião (PMDB) acusou ontem o ex-secretário da Fazenda Giovani Gionédis (PSC) de mudar sua posição quanto à privatização e estar comprando deputados estaduais para garantir a venda da Copel. Os deputados analisam na semana que vem projeto de iniciativa popular que tenta cassar a autorização dada pelos próprios parlamentares, ao governo do Estado, para privatizar a estatal.
Na tribuna do Senado, Requião disse ter recebido ‘‘a informação de que uma empresa de energia elétrica alem㠖 RWE, uma das grandes empresas de energia do mundo, gângster de grande experiência, por intermédio de um escritório de advocacia, contratou um outro escritório de advocacia do Paraná, do ex-secretário da Fazenda do governador Jaime Lerner, senhor Giovani Gionédis, para garantir a aprovação da autorização legislativa de venda da Copel. Garantir como? Comprando deputados. A RWE pretende, pelo escritório do advogado lobista ligado ao governo do Estado, comprar a Assembléia. O escritório do advogado Giovani Gionédis e sua esposa, a partir de agora, se encarregam da corrupção da Assembléia Legislativa do Paranᒒ.
‘‘Giovani Gionédis é o nome do corruptor contratado e o dinheiro sujo dos gângsteres alemães está agora à disposição para comprar, talvez por quilo, deputados irresponsáveis’’, disse o senador, conforme as notas taquigráficas distribuídas pela sua assessoria em Brasília. ‘‘A partir de agora, ele se encarrega da corrupção da Assembléia’’, completou Requião em seu discurso.
O senador reafirmou em plenário o seu compromisso de reestatizar a Copel, caso a privatização se confirme e ele seja eleito ao governo do Estado em 2002. Requião classificou a venda da empresa como uma ‘‘negociata de fim de governo’’. O senador confirmou as declarações em entrevista concedida à Folha ontem à noite e disse que vai pedir uma investigação mais apurada.
O discurso de Requião caiu como uma bomba no PSC, partido comandado por Gionédis. O ex-secretário de Jaime Lerner (PFL) interpretou as acusações como retaliação política. Gionédis quer ser candidato ao governo nas eleições do próximo ano. ‘‘Mentira deslavada’’, disse. ‘‘O escritório não é meu. É de minha mulher. Posso assegurar que o escritório não tem ação envolvendo a privatização, até porque sou contra.’’ Apesar de ter servido o governo até a sua demissão, no final do ano passado, o ex-secretário tem feito duras críticas à privatização.
‘‘Meu partido também é contra. Por que o senador não apresentou nenhum projeto para frear a venda? O omisso aqui não sou eu’’, definiu. Gionédis desafiou Requião a um debate sobre a Copel.
O presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PTB), disse que o senador deveria declinar os nomes dos deputados que estariam sendo comprados, para a Corregedoria da Assembléia instaurar procedimento interno. ‘‘Eu, como presidente, só vou tomar uma atitude se tiver nomes’’, avisou.
A Folha tentou falar com a RWE, mas não foi possível. A companhia alemã não opera no Brasil e deu procuração para que outras representantes busquem informações sobre a privatização. (Colaboraram Rosane Henn e Carmem Murara, de Curitiba)

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