Requião acredita em Paraná sem transgênicos
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2004
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba O governador Roberto Requião (PMDB) afirmou ontem estar ''certo'' de que o Paraná será declarado área livre da circulação de transgênicos pelo governo federal. Requião reuniu-se ontem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, para discutir o assunto, entre outros temas espinhosos como a tentativa de desapropriação das concessionárias que exploram pedágio no Estado.
Segundo o governador, a tentativa de restabelecer no Estado a proibição do plantio e comercialização dos transgênicos foi o tema central do almoço. O governador explicou a Lula e a Dirceu que os motivos para a proibição dos transgênicos no Paraná eram estratégicos, e não ideológicos. ''Existe mercado para a soja convencional, e o Paraná pode se beneficiar disso. É uma questão pragmática, de defender a agricultura e a economia paranaense'', afirmou.
Ao sair do almoço, Requião concedeu entrevista coletiva juntamente com Dirceu. O governador disse ter saído do almoço com ''a certeza'' de que Lula decretaria o Paraná uma área livre de transgênicos. Dirceu não fez comentários sobre a afirmação de Requião.
Segundo o governador, a discussão sobre as tarifas de pedágio no Estado e a desapropriação das ações das concessionárias não foi aprofundada no almoço. O governo federal pretende abrir novas concessões em rodovias federais, e a batalha de Requião contra as concessionárias tem incomodado o governo federal.
Requião admitiu que há discordâncias entre o ponto de vista dele e do governo federal. ''Não é um conflito. Temos visões diferentes, e espero que a minha prevaleça. Defendo um pedágio de manutenção, com investimentos nas estradas sendo feitos pelo governo, e não pela iniciativa privada. As concessionárias só realizariam a manutenção básica das rodovias'', afirmou.
Dirceu afirmou que o governo Lula não vai intervir nas decisões do governador quanto ao tema no Estado. ''Há uma deliberação do Poder Legislativo e do Executivo no Paraná, e o governo federal vai respeitar isso. Cabe ao Judiciário julgar os impasses'', resumiu Dirceu.


