Curitiba - Convocado pelo senador Roberto Requião, candidato ao governo do Paraná, o diretório estadual do PMDB aprovou, ontem, a dissolução da Executiva do partido, substituindo o deputado federal Osmar Serraglio pelo assessor da vice-presidência da República Rodrigo Rocha Loures no comando da legenda. Dos 70 membros do diretório, 46 compareceram à reunião convocada por Requião, sendo que 42 votaram pela dissolução (garantindo a maioria simples necessária), três contra e um votou em branco. Além do presidente, o diretório substituiu o secretário-geral do partido, o ex-governador Orlando Pessuti, por Sérgio Ricci. O terceiro vice-presidente, o deputado estadual Reinhold Stephanes Júnior, foi trocado pelo deputado federal João Arruda, sobrinho de Requião. Também perderam o cargo na Executiva os suplentes Doático Santos e Alexandre Curi, trocados por Antonio Anibelli Neto e Requião Filho.
A reunião extraordinária do diretório foi realizada na calçada da avenida Vicente Machado, em Curitiba, em frente ao diretório estadual do partido, que estava fechado, com um cartaz de luto pela morte de Eduardo Campos, o que foi classificado pelos aliados de Requião como uma manobra do grupo de Serraglio para tentar impedir a realização da reunião. Os requianistas, então, montaram uma tenda na calçada e realizaram a "convenção" ali mesmo. Tão logo o resultado da votação foi divulgado, Rocha Loures, no primeiro ato como presidente do partido, determinou a abertura de sede. Um chaveiro já estava de plantão aguardando a ordem.
Os deputados estaduais Luiz Claudio Romanelli, Caíto Quintana, Nereu Moura e Luiz Eduardo Cheida foram mantidos na Executiva. Na avaliação dos integrantes do diretório, os quatro não incorreram em infidelidade partidária na campanha, principal motivo para o afastamento dos demais membros. Requião afirmou que a dissolução da Executiva do PMDB foi necessária para interromper o processo de "boicote" à campanha do partido. "Foi para garantir a unidade de comando do PMDB", afirmou o senador, que acusa os dirigentes afastados de trabalharem em favor da reeleição do governador Beto Richa (PSDB). Segundo o senador, o processo teria o aval do diretório nacional. "Temos a garantia de respaldo do diretório nacional. Eles também não querem ver esta bagunça aqui", afirmou o candidato.
O novo presidente do partido disse que a reunião tem respaldo legal e nenhum risco de ser derrubada administrativamente, ou mesmo, judicialmente. "O nosso estatuto prevê que podemos convocar essa reunião e que, por maioria simples, podemos dissolver a Executiva. Temos todo o amparo legal, além da anuência da nossa direção nacional", disse Rocha Loures, que lembrou que os deputados aliados a Beto Richa foram a Brasília, antes da convenção, pedir para que a direção nacional respeitasse a convenção estadual do partido. "E depois que a convenção definiu pela candidatura do Requião, eles que não estão respeitando, fazendo campanha contra", afirmou.
Rocha Loures disse ainda que não se trata de uma "caça às bruxas": "Só estamos tirando do comando as pessoas que têm resistido à unidade e atrapalhado o projeto eleitoral do PMDB". Ele disse, ainda, que os dissidentes não serão obrigados a fazer campanha por Requião, "mas serão enquadrados na regra da fidelidade partidária caso façam campanha contra".

mockup