Brasília - O representante de comércio dos Estados Unidos, embaixador Robert Zoellick, demonstrou ontem a disposição de seu país em dialogar com o Brasil para avançar nas negociações comerciais para a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). ''Eu vim aqui para ouvir e aprender'', declarou. O embaixador, que fez questão de vir ao Brasil para a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva representando o presidente George W. Bush, aproveitou a visita para travar contatos individuais com os novos ministros da área econômica.
Zoellick esteve reunido com o ministro da Fazenda Antônio Palocci ontem pela manhã, antes mesmo da cerimônia da posse. ''Assim como o governo Fernando Henrique Cardoso fez coisas fantásticas, acredito que o novo governos também deverá fazer coisas fantásticas.''
No encontro, que durou cerca de meia hora, Zoellick ouviu uma explanação de Palocci sobre a situação econômica do Brasil. Palocci disse ao representante americano, conforme apurou a Agência Estado, que o impacto da instabilidade econômica decorrente do período de transição foi menor do que o esperado e que, uma vez passada a eleição, os indicadores da economia têm reagido bem.
Ele citou como exemplo a valorização do câmbio e ressaltou o compromisso do governo Lula com o controle da inflação. Palocci aproveitou o encontro para manifestar também a preocupação com a falta de crédito externo dos bancos americanos ao Brasil.
Colocando-se à disposição, Zoellick afirmou que o governo americano quer saber como pode ajudar o Brasil. Para tanto, ele mencionou, inclusive, o Fundo Monetário Internacional. Palocci considerou o encontro ''muito importante''. ''Isso abre um diálogo muito importante do ponto de vista de comércio internacional e das novas relações que o Brasil deve estabelecer no plano do desenvolvimento econômico'', disse.
A viagem do representante comercial em nome de George W. Bush pode ser interpretada como um sinal da importância que os EUA estão dando as negociações da Alca. O assunto é tema das reuniões que Zoellick terá com o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, e das Relações Exteriores, Celso Amorim.
Protagonista de um dos episódios que mais marcaram as eleições presidenciais, Zoellick ficou conhecido como ''o sub do sub do sub''. Assim, o presidente Lula o classificou depois dele ter dito que se o Brasil não negociasse a Alca seria obrigado a comercializar com o continente antártico.
Zoellick trouxe um presente do presidente americano a Lula: uma travessa de prata gravada com uma inscrição comemorativa da posse.

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