Os quatro requerimentos protocolados por cidadãos londrinenses na Câmara Municipal visando aplicação de sanções disciplinares contra vereadores citados no escândalo de corrupção iniciado com a prisão do ex-vereador Henrique Barrros, em janeiro desse ano, permanecem em trâmite burocrático e ainda não chegaram à Comissão de Ética - que é responsável pelos processos administrativos. A representação mais ''antiga'' chegou à Câmara no início de abril e refere-se ao ''caso Caldarelli'' - suspeita de que nove vereadores teriam recebido propina para aprovar doação de terreno público ao empresário Marcelo Caldarelli.
Entre idas e vindas da Procuradoria, a representação patina desde o início de setembro, quando foram requeridas à 1 Vara Cível e 3 Vara Criminal cópia dos processos referentes ao caso. No cartório da 3 Vara, a FOLHA obteve a informação de que os autos estão à disposição para xerox há dois meses. De acordo com o chefe de cartório, Ademir Aguayo, cabe à Câmara providenciar as cópias - e não à justiça encaminhá-las.
A investigação relacionada à boate erótica Shirogohan se encontra na mesma situação: há quase três meses a 3 Vara autorizou a Câmara a fazer cópia dos autos, mas até hoje a Procuradoria não se mobilizou para isso. O ''caso Shirogohan'' apura pagamento de propina para vereadores em troca da aprovação de lei municipal que beneficiou o estabelecimento.
Na 5 Vara Cível, o pedido da Câmara sobre a ação civil pública relacionada à Shirogohan esbarrou num ''erro de cartório''. Desde 19 de agosto, o requerimento foi anexado aos autos, mas não recebeu resposta. O juiz Mário Nini Azzolini afirmou, porém, que se a Câmara não foi atendida, ela tinha ''o dever de reiterar a solicitação''.
As duas representações relacionadas ao ''mensalinho da TCGL'' também não prosperaram - uma aguarda ajuizamento de ação por parte do Ministério Público, seguindo parecer da Procuradoria; e outra foi devolvida para seu autor especificar ''fato determinado'' que embasa a denúncia.
Na Câmara, a informação de que os autos estão à disposição para cópias causou confusão. O procurador chefe, Airvaldo Natal Stella Alves, que é autor dos pedidos de xerox, ontem literalmente lavou as mãos. ''Não respondo mais por isso. Vou pedir exoneração na semana que vem'', disse.
Os procuradores de carreira informaram pela assessoria de imprensa que estavam aguardando resposta aos ofícios. Segundo o entendimento deles, as solicitações não deveriam ser inseridas nos processos - mas respondidas via ofício pelos juízes. A assessoria afirmou ainda que nesta sexta-feira um funcionário irá ao fórum verificar a situação.
O presidente do Legislativo, Sidney de Souza (PTB), que é citado em algumas das ações, não quis se pronunciar. O presidente da Comissão de Ética, Roberto Kanashiro (PSDB), afirmou que iria cobrar mais rapidez nos processos ainda esta semana.

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