Propostas para amenizar uma defasagem salarial de mais de 30%, para garantir segurança e saúde ao servidor, nos locais de trabalho, e dúvidas ante um Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) que não contemplou ainda todos os setores da categoria. Esses foram ontem alguns dos temas trazidos por funcionários públicos municipais aos nove candidatos à Prefeitura de Londrina, reunidos ao longo de quase três horas, no Hotel Sumatra (Centro), no debate organizado pelo sindicato que representa o funcionalismo municipal, o Sindserv.
Dividido em quatro blocos, foi no penúltimo deles que perguntas de servidores foram expostas em um telão, em vídeo, para que um prefeiturável respondesse, com comentário de outro; sempre por sorteio. A promessa de uma reposição total ou quase total de perdas não efetivada nos oito anos de gestão Nedson Micheleti (PT), contudo, permeou a maior parte dos blocos restantes - à exceção do último, destinado às considerações finais, os demais eram de perguntas entre os candidatos.
Só nos últimos quatro anos, a categoria realizou duas greves pela reposição salarial - uma de 31 dias, em 2005, e uma de 106 dias em 2006. Nas exposições dos candidatos aos cerca de 200 servidores presentes em meio a candidatos a vereador, a maior parte dos prefeituráveis colocou como plenamente viável o repasse da inflação e também o fim do desconto dos dias parados, imposto pela Justiça com o fim da greve de 2006, e contra o qual o Sindserv perdeu recurso.
A FOLHA conversou com alguns candidatos que permaneceram no local instantes depois de encerrado o debate - Antonio Belinati (PP), Marcos Colli (PV) e André Vargas (PT) deixaram o local rapidamente.
''Minha proposta prevê reposição de 25% das perdas, com database em fevereiro'', avaliou o tucano Luiz Carlos Hauly. Para Luiz Eduardo Cheida (PMDB), o encontro foi positivo. ''Os candidatos foram ao ponto, que é a reposição salarial.'' Para Amadeu Felipe (PCB), o evento foi ''muito bom'', mas com ressalvas: ''Alguns cumpriram esse compromisso com o servidor, outros não cumpriram e não vão cumprir''. Em linha semelhante, Vilson Machado (PSol) defendeu: ''O servidor precisa ser valorizado e ver as máscaras caírem - nesse momento, todo mundo promete que vai salvá-lo, mas a gente sabe que não é verdade''.
Presidente licenciado do Sindserv, Marcelo Urbaneja (PTdoB) analisou: ''Esse é o único espaço democrático que a gente tem, dentro de tantas campanhas milionárias. Mas prevaleceu o discurso vazio, infelizmente''. Já Barbosa Neto (PDT) foi neutro: ''É importante ter esse contato direto com o servidor, seja para expor as fraquezas de cada um, ou as virtudes''.
O presidente interino do Sindserv, Marcos Ratto, aposta que a reposição, da forma como apresentada por boa parte dos prefeituráveis, não soa como promessa. ''O servidor é bastente inteligente. Com certeza, como conhecemos bem a receita e a despesa do Município, basta que o candidato tenha vontade que já a partir de janeiro pode zerar as perdas salariais'', acredita.

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