O doleiro Alberto Youssef, preso desde março em Curitiba, teria dito em depoimento à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público Federal (MPF) que a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula tinham conhecimento do esquema de desvio de dinheiro na Petrobras, de acordo com reportagem publicada pela "Veja". Segundo a revista, que adiantou sua publicação para sexta-feira, o doleiro - que fez um acordo de delação premiada com as autoridades para tentar reduzir as penas a que está sujeito pela participação no esquema - disse na última terça-feira ao delegado que presidia o interrogatório que o Planalto sabia de tudo que acontecia na estatal. "Mas quem no Planalto?", teria perguntado o delegado, de acordo com o relato da revista. "Lula e Dilma", teria respondido Youssef. A revista não traz detalhes: "O doleiro não apresentou – e nem lhe foram pedidas – provas do que disse", diz trecho da reportagem.
O presidente do PT, Rui Falcão, anunciou ontem uma série de medidas judiciais contra a revista. "É uma matéria sem fundamento. Essa capa parece uma peça eleitoral. Enviamos uma representação ao TSE para impedir qualquer publicidade desta reportagem, em rádio, TV ou outdoor, porque isso pode configurar propaganda negativa", disse Falcão. Segundo o dirigente, o PT também vai entrar com processos nas esferas cível e criminal. Falcão repetiu ainda o tom da presidente Dilma, que no programa eleitoral de ontem, na TV, classificou a matéria como terrorismo eleitoral.
Ontem, durante ato a favor da candidatura da aliada, o ex-presidente Lula disse que não lê a revista e que não tem opinião sobre a capa da publicação. "Eu não acho nada. O problema da 'Veja' é só ela que fala", respondeu ao ser questionado sobre a reportagem.
Antonio Figueiredo Basto, advogado de Youssef, afirmou estar surpreso com a divulgação do suposto trecho da delação premiada de seu cliente. Ele não confirma e nem desmente a reportagem, frisando que não fala sobre os depoimentos porque eles são sigilosos, conforme prevê o acordo fechado com o MPF.
Entretanto, Basto cobra uma apuração efetiva das informações que estão sendo divulgadas. "É preciso ter muito cuidado porque está havendo muita especulação, especialmente às vésperas de uma eleição. Isto atende a interesses de quem? É estranho e precisa ser devidamente investigado", completou. O advogado também informou que a defesa não possui cópia do que foi falado por Youssef na Polícia Federal, e que espera que seu cliente não seja prejudicado.
A PF não quis comentar o caso e também não confirmou se será aberto um inquérito para apurar o vazamento de supostos trechos dos depoimentos do doleiro. Há cerca de um mês, quando a revista "Veja" divulgou informações sobre a delação premiada de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, o órgão informou que havia sido aberto um inquérito para apurar os vazamentos. Até o momento este inquérito não foi concluído. (com Rubens Chueire Jr./Reportagem Local)

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