Repercussão preocupa deputados
Com medo de ficarem com a pecha de caloteiros do Banestado e de eventuais reações das bases, nas eleições de outubro, deputados estaduais aprovaram ontem requerimento solicitando um esclarecimento público da instituição sobre o episódio. A relação dos parlamentares inadimplentes com o banco e os eventuais empréstimos dados a deputados com juros subsidiados também fazem parte do requerimento, aprovado com folga.
Cerca de 30 deputados avalizaram a idéia de Edgar Bueno (PDT). Um grupo entende que o documento serve como autorização automática para o banco quebrar o sigilo bancário de todos os deputados. Outros, que a medida restringe-se aos trinta que subscreveram o requerimento. E a ala majoritária acredita que o pedido não tem estas implicações e que serve única e exclusivamente para nominar os devedores.
Paralelamente ao documento, e com a intenção de restabelecerem a imagem com os eleitores, Luiz Carlos Zuk (PDT), Hidekazu Takayama (PFL), José Maria Ferreira (PSDB), Plauto Miró (PFL), Luiz Carlos Martins (PFL), Valdir Rossoni (PTB) e Edgar Bueno comprometeram-se ontem mesmo a abrir suas contas bancárias ao público. Alguns deles aguardam certidão do Banestado para divulgar suas contabilidades.
O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, diz que o requerimento dos deputados não vai dar em nada e que ele só poderia fornecer a lista dos executados pelo Banco, e mediante decisão judicial. Daí, é só ir num fórum e conseguir as informações, conclui. Ele afirma também que a lei que trata do sigilo bancário é rigorosa e que o Estado pode, em caso de sua quebra, ser acionado. Os deputados nem deveriam se preocupar com isso. As bases não estão nem aí, avalia.
Consulta feita pela Folha ontem ao Banco Central dá conta de que a quebra do sigilo só poderá ocorrer se o procurador da Assembléia Legislativa, autorizado pelo presidente da Casa, alegar prejuízo moral e solicitar em juízo o afastamento do sigilo. Aníbal Khury (PFL) já sinalizou que não acha necessária a divulgação da relação. A lei do sigilo é a 4.595 de 1964, e não impede que os deputados, como pessoas físicas, abram suas contas.
Para os deputados, não há dúvidas de que a crise vai atingir a reeleição. Aqueles que forem para o interior, se preparem porque serão inquiridos pelos eleitores. Todo mundo quer saber quanto os deputados estão levando com a quebra do Banestado, gritava ontem em plenário José Maria Ferreira (PSDB). Irritado com os desdobramentos, o tucano diz que as críticas, feitas a alguns deputados, não podem ser generalizadas.
Estamos sendo bois de piranha nesta história. Este homem está querendo nos desmoralizar, reforçou o deputado Toti Colaço, do PMDB. Para o líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), que também está preocupado com a repercussão junto às bases , o povo pode até acreditar nas coisas que estão falando. (L.D)





